Mitologia grega – Apolo

24/08/2012 at 10:40 am Leave a comment

O nascimento do deus solar
Dias e noites, meses e meses, uma única procura.
De porta em porta: dos palácios às cabanas, dos
templos aos covis, Latona andou buscando abrigo
para pôr no mundo os filhos que levava dentro de
si. Filhos de Júpiter.
Mas a própria paternidade de suas crianças
barrava-lhe as entradas. Pois Júpiter, senhor
supremo do Olimpo, era o marido de Juno, a
mais ciumenta das deusas, que costumava
perseguir as rivais até os confins da terra, e punir
duramente quem ousasse recolhê-las. Apenas um
imortal de iguais poderes seria capaz de enfrentar
sua cólera.
Netuno, deus dos mares, decidiu ajudar a nobre
Latona. Para refugiá-la, escolheu Delos, a ilha
flutuante, arisco rochedo sem raízes, áspera
paisagem desprovida de plantas e de fontes.
Ninguém a habitava: nem deuses, nem homens,
nem animais. Talvez por isso a ira de Juno não
chegasse até lá. Assim, Netuno fixou Delos ao
fundo do mar, e confiou-lhe a missão de
hospedar os frutos de Júpiter.
A ilha teve medo. Ouvira dizer que um dos filhos
de deus seria excessivamente orgulhoso, e
tremeria de raiva quando soubesse, que lugar tão
miserável lhe servira de pátria. Talvez jogasse Delos
no mar, para sempre.
Latona tranqüilizou-a nada temesse: o novo deus
não lhe traria desgraça, e sim prosperidade e
alegria. Multidões viriam de longe para adorar seu
berço sagrado, e o pequeno torrão sem vida se
tornaria rico e respeitado.
Então a ilha consentiu. E Latona deu à luz Diana e
Apolo. Nesse instante, o solo estéril de Delos
floresceu. Porque Apolo trazia consigo o sol, a
vida e a beleza.
Múltiplas eram as faces de Apolo, porque
muitas eram suas altas funções
Sem luz nada é possível, acreditavam os antigos
gregos. As duas bases essenciais do progresso – o
campo e as viagens – adormeceriam para sempre
na escuridão, e a Grécia estaria morta.
Para garantirem a própria sobrevivência, os gregos
cultuavam Apolo, deus da luz por excelência. A ele
reservavam gloriosas cerimônias, soberbos
sacrifícios e um lugar de honra entre os seus
divinos pares do Olimpo. Pois atribuíam-lhe a
múltiplas funções de conduzir os pastores,
multiplicar as colheitas, encaminhar os
navegantes, iluminar os artistas, protege os
médicos, zelar pela saúde, desvendar o futuro.
Mágicas atividades para o progresso de um país
especialmente agrícola e voltado para o mar como
único caminho possível para a expansão da
cultura e do poder.
Sem sua proteção os marinheiros ousavam
abandonar os portos para aventurar-se em águas
desconhecidas e, por isso, repletas de perigos, dos
quais só Apolo podia salvá-los. Nesta atribuição o
deus era especialmente cultuado nas numerosas
ilhas gregas, cuja força econômica, mais do que
nas terras continentais, situavam-se
essencialmente nas riquezas do mar, tanto como
fonte de alimento quanto como caminho de
conquista e de troca de mercadorias.
Com o deus da luz que fertiliza a terra, Apolo
recebia anualmente o sacrifício dos camponeses,
que lhe ofereciam a primeira colheita da
primavera, em meio a grandes festas. Pretendiam,
assim, assegurar-se da proteção do deus e
agradecer-lhe o término do inverno. Pois, estando
ele intimamente identificado com o Sol, julgavam-
no também responsável pela mudança das
estações: o inverno era o tempo sombrio em que
o deus viajava para o mítico país dos hiperbóreos;
e a primavera começava no seu retorno.
Os guardadores de rebanhos também rendiam-
lhe culto, após seu lendário retorno no começo da
primavera. Pois era então que mais precisavam de
seu apoio , quando levavam os animais a pasto
distantes, muitas vezes ameaçados pelas feras ou
acessíveis somente através de difíceis caminhos.
O núcleo primitivo e fundamental do mito de
Apolo visa, portanto, a explicar a vida em suas
necessidades primárias e em seus fenômenos
mais diretamente ligados à existência de uma
sociedade que tirava os meios de sustentamento
de três fontes principais: o campo, a pecuária e o
mar.
Com o desenvolvimento da civilização helênica e a
concentração da população nas cidades, por volta
do século IX a.C., aos atributos de Apolo como
protetor dos navegantes e dos camponeses os
gregos juntaram também outras funções, como a
de inspirar os artistas e as artes. Função que se
ajusta perfeitamente às anteriores, de tempos
mais rudes e primitivos. Pois a mesma luz que tem
força para encaminhar os navios e fecundar os
campos e os rebanhos, pode igualmente iluminar
a mente dos homens e levá-los a criar belas obras.
A antiga lenda da competição entre Apolo e
Mársias (ou Pã, segundo outras fontes) justificava
a nova atribuição. O mito simbolizava a
superioridade da arte grega sobre a asiática. A lira,
usada pelo vencedor Apolo, era instrumento
básico da música grega; seu som era considerado
o mais puro e harmonioso que jamais se poderia
produzir. Enquanto a flauta, de Mársias, era tida
como instrumento rude, incapaz de acompanhar
as belas canções poetas que se esmeravam em
cantar os feitos dos heróis.
Representação da superioridade do belo sobre o
feio, do sublime sobre o vulgar, do grego sobre o
asiático, da harmonia sobre a desordem, o mito
da disputa entre Apolo e Mársias evidencia a
grande preocupação do artista – protegido e
inspirado por Apolo – em obedecer estritamente
os ditames da lei, da harmonia, da medida, para,
mediante essa obediência e essa disciplina,
conseguir fixar um tipo ideal de beleza absoluta.
Ideal nem sempre alcançado, pois muitas vezes se
esboroava de encontro à rude opacidade do
mundo real, como sucedeu ao próprio Apolo,
segundo a lenda de sua perseguição à ninfa
Dafne.
Apolo e a Arte
O artista apolíneo, diria o filósofo alemão Friedrich
Nietzsche (1844-1900), não ignorava os riscos de
fracasso. Sonhava com a beleza perfeita,
centralizada na imagem plástica de Apolo, mas
sabia que estava sonhando. Nem por isso desistia
de persegui-la, num contínuo, pacienta e solitário
exercício, realizado sobretudo a partir da pedra.
Pois era um individualista, e sua arte por
excelência, embora Apolo fosse indicado
principalmente como músico, era a escultura.
Dominando a dura pedra, procurava sublimar
seus próprios tormentos de sonhar com o
intangível e disciplinava as paixões.
Conquanto o cultuassem como protetor das artes,
raramente os poetas invocavam diretamente
Apolo nessa função, mas recorriam de preferência
às Musas, que atuavam como intermediárias do
deus. Por meio delas também os médicos –
artistas cujo talentos se exercia sobre vidas
humanas – tentavam obter a valiosa proteção de
Apolo. O médico Erixímacos, personagem da obra
O Banquete de Platão (427? – 347? a.C.), explica
por que a medicina é uma arte, estabelecendo
paralelo entre sua atividade e a de um músico. A
saúde, diz ele, nada mais é senão o resultado do
perfeito equilíbrio entre as diversas partes do
corpo e da mente. Ambos formam um todo
indiviso, uniforme, e o bem-estar de um depende
estreitamente da ordem do outro. Cabe ao médico
– assim como ao músico em sua composição –
cuidar para que nesse todo haja dissonância que
comprometam a harmonia.
Ao nascer seu filho Asclépio, que os romanos
chamavam de Esculápio, Apolo passou-lhe a
atribuição de protetor da medicina. Deve Ter
havido uma personagem com esse nome, que
certamente passava por filho do deus, pois existe
ainda hoje na Grécia, na cidade de Epidauro, além
de uma templo, um museu em sua homenagem,
onde estão conservados instrumentos cirúrgicos e
tabuinhas gravadas com fórmulas e receitas.
Posteriormente, quando Esculápio, segundo uma
lenda, foi fulminado por ordem de Júpiter, Apolo
voltou a assumir a função que transmitira ao filho,
não apenas curado, mas também algumas vezes
enviado pestes e epidemias como, segundo a
lenda, a que provocou em Tróia.
Mas de todos os atributos de Apolo como deus da
luz o mais importante para a antiga Grécia era,
sem dúvida, o de profeta – diante da luz não
podiam existir mistérios, em tempo algum. Nessa
condição, Apolo mobilizava para seus templos,
notadamente para o célebre santuário situado em
Delfos, todas as camadas sociais da velha Grécia.
Por intermédio do seus sacerdotes, ele respondia
às perguntas de chefes militares, navegantes,
soberanos, pessoas do povo que ansiosamente
procuravam desvendar o futuro e conhecer as
probabilidades de êxito nos negócios, nas guerras,
nas viagens, nos amores.
Em Delfos, a cada nove anos, os gregos
comemoravam a mítica vitória de Apolo sobre a
legendária serpente Pitão, revivendo, com
pomposa cerimônia, essa vitória da luz e do bem
sobre as trevas e o mal.
É fácil ver como os gregos resumiram na figura de
Apolo uma multiplicidade de atribuições, algumas
das quais até contrastantes entre si. Deve-se isso,
possivelmente, ao fato de o culto do deus, em sua
origem, não ser grego, mas indo-eu-ropeu, e Ter
conservado, portanto, muitas de suas facetas
primitivas. Fundamentalmente, contudo, Apolo
representa a luz e o triunfo da inteligência sobre
as trevas da barbárie: é pois, a figuração das
conquistas da civilização na existência prática e
nas artes.
Para esculpirem sua imagem, os artistas muitas
vezes reuniam os mais belos mancebos e
selecionavam , de cada um deles, sua parte mais
perfeita. Assim conseguiram os traços para
representar o deus: soma do que havia de mais
belo na pessoa humana. Estudavam
cuidadosamente as proporções dos lineamentos
do rosto com os membros. Tudo medido,
calculado e disposto de maneira a obter o que
mais se aproximava daquilo que consideravam
perfeição: a disposição harmônica e proporcional
das partes em relação ao todo.
Essa representação do divino segundo modelos
humanos constituía uma novidade no mundo
antigo. Os deuses de civilizações anteriores à
grega não tinham aparência humana porque, em
seu conjunto não sintetizavam problemas práticos
da vida; procuravam fixar mais a superioridade
esmagadora do divino do que solucionar a
fragilidade do homem. Assim, no Egito e na
Mesopotâmia, por exemplo, muitas divindades
eram imaginadas sob uma forma híbrida, em
parte humana, em parte animal.
Os gregos só podiam entender o invisível pelo
visível e pelo humano. Só podiam sentir e criar a
beleza a partir daquela que viam ao redor de si e
que abstraíam mediante a luz da mente.
Observando os formosos atletas nos estádios, nos
jogos esportivos, o escultor grego entendeu que
sua fantasia não poderia inventar nada mais belo.
Por isso, tirava deles os traços que compunham a
perfeição de uma estátua de deus.
Desde as esculturas mais primitivas, em madeira,
bronze ou mármore, até as obras mais refinadas
dos últimos séculos da antigüidade grega, Apolo é
geralmente representado nu; quando alguma
roupa o encobre, é apenas um leve manto. Como
músico, porém, aparece sempre vestido com uma
túnica e levando a lira na mão, personificando
assim a severidade e a elegância que se atribuíam
a essa arte.
Dos séculos V e IV a.C. datam as mais belas
estátuas do deus da luz. Célebre entre todas é a
obra de Praxiteles (370?-330? a.C.), cujas feições o
artista modelou nos traços selecionados de sete
belos atenienses. Famosa tornou-se a estátua do
Apolo do Belvedere, de autor desconhecido,
conservada no Museu do Vaticano, em Roma. São
desta época também dezenas de baixos-relevos,
vasos, taças e ânforas decoradas com sua figura.
Mesmo na era cristã, Apolo voltou a inspirar os
artistas plásticos e figurativos, sobretudo nas
épocas renascentista, barroca, maneirista e
arcádia, que acolheram de bom grado as
sugestões da mitologia grega. Cellini (1500-1570),
Sansovino (1486-1570), Bernini (1598-1680), Ribera
(1588-1655), Claude Lorrain (1600-1682) e muitos
outros escultores e pintores usaram-no como
tema.
O sábio julgamento das nove Musas
Uma lira: primeiro pedido de Apolo, mal abrira os
olhos para sua própria luz, na flutuante ilha de
Delos.
Uma lira: para acompanhar os cânticos dos
homens a cada surgir do sol. Dissipar a
melancolia. Marcar o ritmo dos poemas.
Engalanar os festins dos justos.
Uma lira: compromisso do deus que decide para
sempre iluminar os espíritos dos artistas,
enriquecer a inspiração de um povo e conduzi-lo
à descoberta da beleza absoluta.
Mas nem mesmo um deus podia arrogar-se uma
função sem o consentimento das divindades que
até então a presidissem. Assim como fora Hélios, o
deus do Sol, quem confiara a Apolo o carro solar,
também para assumir a condição de protetor das
artes ele precisava ser sagrado pelas Musas,
incumbidas de tal missão.
Compareceu, portanto, a uma assembléia no
monte Parnaso, onde moravam as nove Musas,
para competir com um certo Mársias, afanado
flautista que chegara da Frígida e também habitava
aquelas cercanias.
Da flauta saíram sons extremamente vulgares,
grosseiros, evocativos de vícios, perversidade e
luxúria. Da lira fluíram acordes harmoniosos,
serenamente belos e elevados. Encantadas com
sua esplêndida atuação, as Musas declararam
Apolo vencedor – e sagraram-no para sempre
deus protetor das artes.
Mas da assembléia participava Midas, o rei dos
frígios, que discordou da sábio julgamento. Por
Ter escolhido uma arte depravada, o deus puniu-
o, fazendo-lhe nascer orelhas de burro.
Envergonhando, o rei tratou de esconder a
anomalia sob um gorro, mas seu barbeiro
descobriu-lhe o segredo e saiu a apregoá-lo aos
quatro cantos, atraindo para o infeliz a zombarias
de todos. Quanto a Mársias, Apolo esfolou-o vivo e
depois suspendeu-lhe o corpo na entrada de uma
caverna, para que todos pudessem ver o castigo
reservado à perversão.
A ira de Apolo recai sobre Tróia
O governo de Júpiter andava aborrecendo os
divinos súditos. Já os ouvidos olímpicos não
suportavam seus brados de ira. Já o néctar perdia
o doce gosto ante suas terríveis expressões. Era
preciso fazer alguma coisa.
Apolo e Netuno, Minerva e Juno decidiram fazê-la,
e tramaram uma conspiração para punir o furor
de Júpiter.
Mas o rei do Olimpo descobriu a tempo a intriga.
Como gentil cavalheiro, poupou às deusas
qualquer humilhação, porém submeteu os outros
dois conspiradores a duro castigo. Como simples
mortais, mandou-os trabalhar para Laomedonte,
rei de Tróia. A Netuno incumbiu de erguer as
muralhas da cidade. E a Apolo encarregou de
apascentar os rebanhos reais. Para o deus da luz
tal encargo em si não constituía uma pena, pois
amava com carinho os animais, e gostava de
apascentá-los ao som de sua lira. O castigo estava
na obrigação de submeter-se às ordens de um
mortal.
Por longo tempo os dois deuses trabalharam para
Laomedonte.
Ao fim da tarefa, prepararam-se para receber o
salário combinado, humana recompensa de um
trabalho humano. Laomedonte, porém, negou
que tivesse combinado um preço, e expulsou-os
de seu reino a ameaça de arrancar-lhes as orelhas
e vendê-los como escravos.
Nada lhes restava senão se afastarem. Mas não
deixaram a ofensa sem vingança. Tão logo
recobraram a condição divina, ao tocarem de
novo o Olimpo, investiram contra Tróia. Netuno
fez surgir do mar um horrendo monstro, que ele
conduzia à sua vontade. E mandou-o disseminar
o pavor e a morte na cidade. Não o deixou
exterminar a população inteira, pois privaria a
Apolo o gosto da vingança. Saciado por sua parte,
recolheu o animal, e deixou os sobreviventes
entregues à fúria de seu companheiro. Então
Apolo enviou uma peste que acabou de eliminar a
população troiana.
Para os devotos, amor e proteção: para os
ímpios, a morte
Crises, o venerável sacerdote de Apolo, tinha uma
filho, Criseide, formosa e casta donzela que
sonhava casar-se um dia, com jovem de sua
escolha.
Mas tal não desejava para ela Agamenão, que
raptou a moça e levou-a para seu navio.
O velho Crises, em vão, implorou-lhe que
devolvesse Criseide. A cada súplica o guerreiro
respondia com insultos e ameaças. E toda a arma
da frágil sacerdote era o cajado do culto e as
sagradas guirlandas.
Retirou-se, portanto, o ancião, e caminhou pelas
praias desertas até chegar ao templo. Ali
endereçou ardorosa prece a Apolo, rogando-lhe
que vingasse o repto de Criseide.
Então, contra Homero, “Febo Apolo ouviu sua
prece. Desceu do Olimpo, com ira no coração,
carregando o arco e a aljava. As setas retiniam em
seus ombros, enquanto o irado deus movia-se…
Firmou os pés a pequena distância dos navios e
disparou uma seta. Terrível foi o zunido de seu
arco de prata. Primeiro, ele atacou as mulas e os
velozes cães, depois disparou suas penetrantes
setas contra os homens, e nenhuma errou o alvo.
As piras dos mortos começaram a arder
incessantemente.”
Durante nove dias as flechas semearam a morte
entre os soldados gregos. Ao décimo dia,
Agamenão reuniu seus homens e convocou a
presença dos deuses, para decidirem a questão.
Ao fim de longos discursos, resolveu purificar-se e
acalmar a cólera de Apolo, sacrificando ao
vingador belos animais.
No entanto, sabia o herói que só teria paz
novamente quando devolvesse ao sacerdote a
filha raptada. E no duodécimo dia mandou
Criseide de volta para o velho pai. Então Apolo
recolheu suas setas e deixou-o ir.

Entry filed under: trabalhos prontos. Tags: , , , , , , , .

7 serviços para você baixar músicas de modo legal na internet Faça downloads sem gastar nada ou incentivar a pirataria. Fundador do GNU afirma que computação em nuvem é uma armadilha Para Richard Stallman, o cloud computing é apenas um mecanismo publicitário das empresas de tecnologia.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed



%d bloggers like this: