Campus Party: entre erros e acertos

16/02/2012 at 1:24 pm Leave a comment

A quinta edição da Campus Party terminou no fim de semana com um saldo de reclamações, elogios e promessas de um evento maior, mais bem organizado e com palestrantes mais influentes para 2013.

“Para um evento que está na quinta edição tem erros muito primários”, diz Adriano Kairalla, que saiu de Itajubá (MG) para participar do encontro em São Paulo. Ele resumiu as críticas: “O conteúdo e a abordagem das palestras técnicas foram fracos; demoraram três dias para arrumar os bebedouros; o kit de boas-vindas não foi entregue no primeiro dia; tem poucos banheiros e são muito distantes.”

Na outra ponta, o diretor da Campus Party, Mario Teza, se defendeu. Para ele, apesar da maturidade da Campus, foi a primeira vez em que o Anhembi recebeu os campuseiros, o que tornaria natural a ocorrência de problemas não previstos. “O espaço nos surpreendeu positivamente. As características do Anhembi são diferentes das do Centro Imigrantes e do Pavilhão da Bienal”, disse, citando os locais anteriores.

Teza, no comando do evento pela segunda vez, lembra que sempre houve reclamações sobre o ambiente ser apertado, banheiros e chuveiros serem poucos, filas serem demoradas e as mais diversas críticas em relação às palestras.

Visando contornar os mesmos problemas de edições anteriores, o diretor enviou credenciais nas casas dos participantes para diminuir as filas, orientou patrocinadores a melhorar as atrações na zona aberta ao público em geral e mudou o tom da programação.

Nesses pontos, os acertos foram visíveis. As filas para entrar foram menores, a área Expo ficou mais atraente e, apesar da ausência de grandes nomes no palco principal, a programação dos palcos temáticos se destacou por privilegiar jovens desconhecidos e atender sugestões de participantes ao longo do ano.

“A decisão foi a de trabalhar com coletivos”, disse Aline Gambin, 29 anos, coordenadora do palco de Artes Digitais. “Cerca 90% dos palestrantes foram escolhidos no escuro, nunca tinha visto apresentações deles. São jovens e acho que os campuseiros assim se identificam mais do que se fosse um cara famoso falando de forma complicada.”

Os campuseiros elogiaram a escolha. “Ficamos no palco de Software Livre e mal vimos o palco principal. Tem muita coisa acontecendo”, disse Anderson Queiroz. Seu irmão, Tiago, optou por diversificar as palestras que iria ver e gostou da ideia. “Nomes fortes não importam, o que importa é o conteúdo e o que o cara está buscando aqui na Campus. Eu não busco grandes nomes. Por isso acabei vendo, por acaso, uma palestra sobre esperanto e, por fim, fiquei três horas conversando com o palestrante sobre o assunto.”

2013

Se este ano serviu como teste para o novo espaço, a organização espera corrigir os novos problemas em 2013, se a chuva não atrapalhar. Na terça-feira, a chuva molhou os equipamentos de raio-X, que controlam a entrada e saída de computadores, e o vento forte quase derrubou um dos palcos.

“Ano que vem vamos colocar mais gente na Arena, mais banheiros – foi insuficiente -, vamos melhorar o camping, repensar a posição do raio-X e voltaremos com o box no banheiro”, disse Teza comentando a falta de privacidade dos chuveiros.

“Batia qualquer vento e o plástico que fica em volta do chuveiro voava e aí qualquer pessoa me via do corredor”, contou Thais Santos Ribeiro, de 22 anos, que veio de Uberlândia (MG).

Quanto à segurança, que motivou um protesto que interrompeu a apresentação Julien de Fourgeaud, da Rovio, Teza diz que pretende aumentar o número de seguranças à paisana no camping e deve orientar melhor os novatos a registrarem seus equipamentos logo no início.

Embora diga não ter se importado com a falta de grandes nomes, o diretor prevê que o ano que vem contará com “gente grande” na programação. As promessas: Linus Torvald, Bill Gates, Mark Zuckerberg e os fundadores do Twitter.

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