Trabalho escolar sobre literatura

02/09/2011 at 4:12 pm Leave a comment

Trabalho de Literatura

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Novembro de 1998 – Nacional – São Mateus – ES

Sumário

I – Introdução

II – Desenvolvimento

            2.1 – Romantismo

                        2.1.1 – Literatura

                        2.1.2 – Teatro

                        2.1.3 – Artes plásticas

                                   2.1.3.1 – Arquitetura

                                   2.1.3.2 – Pintura

                        2.1.4 – Música

                        2.1.5 – Romantismo no Brasil

                                   2.1.5.1 – Literatura e teatro

                                   2.1.5.2 – Música

            2.2 – Modernismo

                        2.2.1 – Contexto Histórico

                        2.2.2 – Produção literária da terceira fase

                        2.2.3 – Contexto Filosófico

                        2.2.4 – As correntes modernistas

                                   2.2.4.1 – Poesia

                                   2.2.4.2 – Prosa

                        2.2.5 – Divisão das fases

                                   2.2.5.1 – Primeira fase

                                   2.2.5.2 – Segunda fase

                                   2.2.5.3 – Terceira fase

            2.3 – Realismo

                        2.3.1 – Artes plásticas

                        2.3.2 – Literatura

                        2.3.3 – Realismo no Brasil

                                    2.3.3.1 – Teatro

            2.4 – Simbolismo

                        2.4.1 – Pré-simbolistas

                        2.4.2 – Mallarmé e Verlaine

                        2.4.3 – Reações ao simbolismo

                        2.4.4 – Realismo no Brasil

                        2.4.5 – Pintura simbolista

            2.5 – Parnasianismo

                        2.5.1 – Antecedentes

                        2.5.2 – Características

                        2.5.3 – Parnasianismo no Brasil

            2.6 – Concretismo

                        2.6.1 – Antecedentes

                        2.6.2 – Concretismo no Brasil

III – Conclusão

IV – Bibliografia

I – Introdução

 

Tentar-se-à mostrar nesta obra uma pesquisa ampla, milimétricamente detalhada, com a preocupação com os menores detalhes, os mais ínfimos dados sobra os assuntos aqui abordados: o Romantismo, o Modernismo, o Realismo, o Simbolismo, o Parnasianismo e o Concretismo. Dando uma ênfase ao abordar dados referentes a passagem dessas épocas literárias no Brasil, referindo-se também a autores consagrados de todas as épocas.

Mostrar-se-à uma síntese literária de épocas e assuntos pesquisados em alguns livros, almanaques, enciclopédias. Revelando não só sobre a literatura mas a arte em geral, falando sobre as artes plásticas, o teatro, a música, mas é claro, principalmente, o enfoque é a literatura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

II – Desenvolvimento

2.1 – Romantismo

 

Impetuoso e vital, o romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, e representou a exaltação do homem, da natureza e do belo.

Dá-se o nome de romantismo à tendência estética e filosófica que dominou todas as áreas de pensamento e criação artística de meados do século XVIII a meados do XIX. Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o romantismo propôs-se a descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, reencontrar a natureza e o passado.

O qualificativo “romântico” começou a ser usado, em inglês e francês, no século XVII, no sentido de “relativo a narrativa imaginosa”, e aplicava-se a um tipo de forma poética — o roman ou romant –, herdeira dos romances medievais e dos contos e baladas que floresceram na Europa nos séculos XI e XII. O fascínio pelo misterioso e sobrenatural e a atmosfera de fantasia e heroísmo que dominavam essas composições ampliaram o sentido do qualificativo, que, símbolo de uma nova estética, encontrou suas primeiras manifestações, eminentemente literárias, nos movimentos pré-românticos britânicos e alemães. A partir do fracasso das revoluções políticas de 1848 no continente, seus postulados entraram em decadência e o movimento terminou por se desagregar em ecletismo.

A importância subjetiva da arte e das ciências no Ocidente acentuou-se a partir do declínio da sociedade medieval, estruturada sobre os dogmas da religião. A comprovação científica dos fatos substituiu o estabelecimento dogmático das verdades e o culto à arte tornou-se uma das principais alternativas de expressão da espiritualidade entre os intelectuais ocidentais. Filósofos e artistas como Hegel e Berlioz afirmaram que, para eles, a arte era uma religião. No período romântico, esse fervor aliou-se ao amor, à natureza e à idolatria de homens de gênio, cujo primeiro objeto foi Napoleão.

A mentalidade do homem do século XX formou-se com a marca dessas grandes rupturas explicitadas pelo romantismo. A reivindicação de total liberdade criadora e de expressão para o artista; a idéia da “arte pela arte”, como depositária de verdades que não podiam ser contaminadas por interesses econômicos, políticos ou sociais; a ética do artista, que deveria agir de acordo com aquilo que sentia ser necessário comunicar aos outros homens; o desprezo pelas conveniências, pelo utilitarismo, pela monotonia da vida diária, são idéias já expressas em 1835 por Gautier, poeta romântico, no prefácio à novela Mademoiselle de Maupin e que, no final do século XX, norteavam ainda a identidade social do gênio artístico.

 

 

 

 

2.1.1 – Literatura

 

O romantismo elevou a figura do poeta a um papel central de profeta e visionário. A apreensão da verdade deveria se dar diretamente a partir da experiência sensorial e emocional do escritor; a imitação dos modelos clássicos foi abandonada. São criações românticas o mito do artista e do amante incompreendidos e rejeitados pela sociedade ou pela amada.

Denominou-se Sturm und Drang (tempestade e tensão) o movimento pré-romântico entre 1770 e 1780, que propiciou as bases para o desenvolvimento do novo estilo, na Alemanha e depois no resto do mundo. Na fase inicial, Jean Paul, pseudônimo de Johann Paul Richter, festejado pelo público, lançou Vorschule der Aesthetik (1804; Noções fundamentais de estética), tratado em que criticava Kant e Schiller. Sua obra literária conjugava sentimentalismo, elementos góticos, digressões moralizantes, meditações religiosas e filosóficas, pseudocientificismo e humorismo. Johann Wolfgang von Goethe — que escreveu Die Leiden des jungen Werthers (1774; Os sofrimentos do jovem Werther), livro que foi acusado, na época, de induzir ao suicídio vários jovens — encabeçou toda uma geração de bons autores, que incluiu Ludwig Tieck, Novalis, Friedrich Hölderlin e Wilhelm Heinrich Wackenroder. Uma das figuras importantes do movimento foi Friedrich von Schlegel, de formação classicista, que concebeu uma Grécia dionisíaca, numa antecipação das idéias de Nietzsche. Seu romance libertino Lucinde (1799) causou grande escândalo, mas o autor foi posteriormente considerado o maior teórico do romantismo alemão.

 

Importância de Shakespeare

 

O crítico e dramaturgo alemão Gotthold Ephraim Lessing foi um dos primeiros a recomendar aos britânicos que tomassem Shakespeare — cuja obra data do século XVI e tipifica o direito do artista criativo de inventar suas próprias formas e ultrapassar qualquer cânone estético ou técnico — como modelo para uma literatura nacional. A obra shakespeariana influenciou românticos de todas as nacionalidades. Embora não negassem o perigo da liberdade excessiva, os românticos não pretendiam uma fórmula de sucesso, mas valorizavam a exploração, a invenção e a multiplicidade das emoções e verdades que levariam à revigoração uma cultura decadente. O dramaturgo inglês representava também a possibilidade de quebrar a hegemonia da tragédia francesa na Europa e, com ela, a tirania cultural exercida pela França.

A literatura romântica britânica prenunciou-se na novela gótica, iniciada com o famoso The Castle of Otranto, (1765; O castelo de Otranto) de Horace Walpole. As reconstruções de ambientes medievais, os cenários históricos e exóticos e a revalorização do lúgubre nessas obras definiram alguns dos traços do romantismo. Os romances históricos de Walter Scott transcenderam as fronteiras britânicas. Ambientados na Escócia medieval, ilustram a extensão da curiosidade romântica pelo incomum, já que a Escócia era vista como um lugar selvagem, fora dos centros civilizados, e a Idade Média, como um período igualmente bárbaro e distanciado no tempo. William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge criaram uma teoria poética baseada no livre fluxo das emoções intensas e na fantasia, que norteou a produção de John Keats, Percy Shelley e Lord Byron.

Na França, o gosto romântico pelo selvagem e o primitivo foi antecipado por Jean-Jacques Rousseau, que defendia um modo de vida natural, sem a influência alienante da civilização. Madame de Staël, que realizou um retrato idealizado da Alemanha em De l’Allemagne (1813; Da Alemanha), e François Chateaubriand, cuja obra Le Génie du christianisme (1802; O gênio do cristianismo) não impediu as dúvidas acerca de seu espírito católico, foram considerados os primeiros escritores românticos do país.

Na França a classificação do vocabulário em “nobre” e “comum” — ou seja, impróprio para a poesia — estava firmemente estabelecida, inclusive em dicionários. Os românticos, liderados por Victor Hugo, usavam as palavras proibidas sempre que possível e a estréia de Hernani, de Hugo, em 1830, causou por isso grande escândalo. Seu prefácio ao drama Cromwell (1827) constitui verdadeiro manifesto literário. Dentre seus principais romances destacam-se Notre-Dame de Paris (1831) e Les Misérables (1862; Os miseráveis).

Na Rússia, Espanha e Polônia, a literatura romântica também se desenvolveu. Na Itália, Portugal e Estados Unidos, o movimento teve forte caráter nacionalista.

 

2.1.2 – Teatro

 

A expressão Sturm und Drang, que designou o movimento pré-romântico alemão, foi retirada do título de uma peça de Friedrich Maximilian von Klinger Der Wirrwarr, oder Sturm und Drang (1776; Confusão, ou tempestade e tensão). No entanto, no efervescente clima romântico, a produção teatral não passou de alguns poucos trabalhos isolados, de Shelley, Byron e, mais notavelmente, de Heinrich von Kleist. Ironicamente, o novo papel de Shakespeare como emancipador produziu uma paralisia na criação dramática até meados do século XIX. Os poetas ingleses, sobretudo, sucederam-se em tentativas frustradas de produção teatral, intimidados pelo gênio do passado.

 

2.1.3 – Artes plásticas

 

2.1.3.1 – Arquitetura

 

Na esteira do nacionalismo que ressurgiu em toda a Europa, cada país buscou as próprias raízes. A arquitetura romântica abandonou os ideais clássicos e recriou estilos da Idade Média, principalmente o gótico, por sua exaltação espiritual. Construíram-se edifícios neogóticos, neo-românicos, neobizantinos, e mesclaram-se estilos, numa reprodução dos cenários dos romances históricos. O neogótico desenvolveu-se principalmente no Reino Unido, onde se transformou em estilo oficial.

Entre os monumentos do período destaca-se o Parlamento de Westminster, projeto de Sir Charles Barry e Augustus Welby Northmore Pugin. Na França merecem menção a obra neogótica de Viollet-le-Duc, restaurador de monumentos medievais, e o grandioso edifício eclético da Ópera de Paris, de Jean-Louis Charles Garnier. Os mais consagrados monumentos românticos da Alemanha são as catedrais neogóticas de Estrasburgo e Colônia.

Uma nova arquitetura surgiu na construção de estradas. Túneis, pontes e terminais foram concebidos sob a pressão dos novos problemas relativos à topografia e velocidade dos veículos. O notável uso feito do concreto e do aço inspirou a arquitetura do século XX.

 

2.1.3.2 – Pintura

 

A visualização dos sentimentos dos personagens retratados e a expressividade das paisagens foram a tônica da pintura romântica, que exaltou o passional e destacou a morte e a loucura como o fatal destino do homem. Priorizou a intimidade do indivíduo e o confronto com o desconhecido e o misterioso na busca do sentido da vida. A visão trágica do homem imerso na natureza poderosa e imponente trouxe a idéia do “sublime”.

O Reino Unido teve dois paisagistas românticos magistrais. John Constable pintou paisagens com cores vívidas, inaceitáveis para o gosto da época. William Turner antecipou o impressionismo em seu trabalho com as cores e, como Constable, incorporou a técnica da aquarela a seus quadros a óleo. William Blake, poeta e pintor do fantástico e visionário, elaborou uma cosmologia própria baseada em mitos cristãos e utilizou primorosa técnica de aquarela. Contra a visão clássica de que a mais elevada forma de pintura deveria descrever a verdade mais abrangente, Blake afirmou: “Particularizar é o único mérito.”

Em 1824, a exposição de paisagens britânicas no Salão de Paris serviu de marcante inspiração aos artistas franceses. Eugène Delacroix é considerado o principal pintor romântico francês. Com cores fortes e vivas e pinceladas livres e pastosas, Delacroix criou tonalidades até então desconhecidas e retratou com vívido realismo episódios literários e históricos de sua época, como “A matança de Quios”, massacre dos camponeses gregos pelos turcos. Fascinava-se com a vida nômade dos habitantes do deserto no norte da África e outros temas exóticos para a cultura européia. Théodore Géricault chocou o público parisiense com “A balsa de Medusa”, que retratava os sobreviventes de um naufrágio ocorrido em 1816, à deriva e à míngua. Realizou também uma série de retratos de loucos.

A pintura romântica alemã floresceu nas primeiras décadas do século XIX com as obras dos chamados nazarenos, alemães radicados em Roma que, com seus temas religiosos, contribuíram para a propagação do cristianismo. Entre eles, estavam Johann Friedrich Overbeck, Peter von Cornelius e outros. A paisagem como experiência grandiosa aparece idealizada nos quadros de Caspar David Friedrich. Ante a glória de uma natureza misteriosa, com montanhas imensas e planícies desertas, a mesquinhez do homem.

 

2.1.4 – Música

 

O romantismo trouxe grande mudança para a vida profissional dos músicos, seus instrumentos e a própria criação musical, que viveu uma época de grande esplendor. Com a formação de um público urbano burguês, pagante, freqüentador de teatros — os novos locais de espetáculo –, os compositores deixaram de trabalhar para a igreja e os príncipes tornaram-se autônomos, na busca de maior independência em seu trabalho. Foram inventados novos instrumentos e a orquestra incorporou o flautim, o corne-inglês, o contrafagote e vários instrumentos de percussão. A criação de novos elementos formais, as transformações harmônicas e os novos timbres permitiram a expressão cada vez mais elaborada das emoções, das nuanças sutis às mais extremadas paixões. O lied, gênero romântico por excelência, atingiu a máxima pureza melódica e fusão musical entre a voz e o piano nas peças compostas por Schubert, Schumann, Brahms e Wolf.

O grande gênio romântico foi Beethoven, iniciador de uma tradição sinfônica grandiosa, que utilizava seqüências harmônicas inusitadas, de grande impacto aos ouvidos do público da época, habituado à previsível e equilibrada harmonia clássica. Berlioz criou a sugestiva sinfonia programática, em que uma idéia extramusical, ligada à ação dramática, conduz a composição. A instrumentação é utilizada para criar uma ambientação sonora que pode incluir motivos musicais que representam fatos ou personagens e até mesmo imitam certos ruídos.

Também na música o romantismo significou a afirmação da individualidade do artista. Isso se evidencia nas inúmeras obras para um só intérprete, como as compostas por Chopin, Liszt e Schumann para piano solo.

A ópera recebeu um impulso especial com o conceito de Gesamtkunstwerke, a obra de arte total do alemão Richard Wagner, que tirou as vozes do permanente primeiro plano e fez com que se inserissem na textura instrumental. Realizou assim o que chamou de melodia infinita: o recitativo passa à ária por meio de modulações e as cadências só se completam no final do ato. O italiano Giuseppe Verdi manteve a tradição italiana de argumentos dramáticos e nacionalistas, em que a arte vocal sobrepuja a orquestração. Verdi levou o drama romântico a níveis extraordinários de imaginação melódica, força expressiva e domínio técnico.

A afirmação do subjetivismo romântico ensejou a formação de escolas nacionais. Na Hungria, Ferenc Erkel, autor do hino nacional, buscou no folclore os temas para suas óperas. Franz Liszt, compositor de obras pianísticas, inovou com a sonata de tema único, em substituição ao “desenvolvimento” clássico, e com o poema sinfônico. O russo Mikhail Glinka redescobriu cantos e ritmos populares e reintroduziu um antigo sistema composicional, o modalismo próprio da música sacra eslava de seus ancestrais.

 

2.1.5 – Romantismo no Brasil

 

À época do romantismo europeu, o Brasil mantinha estruturas de latifúndio, escravismo, economia de exportação e uma monarquia conservadora, remanescentes do puro colonialismo: condições socioculturais muito diferentes das encontradas nos países da vanguarda romântica européia. A partir de 1808, a permanência da corte portuguesa no Brasil transformou cultural e economicamente a vida da colônia, com a implantação da imprensa e do ensino universitário. O subseqüente processo de independência, em 1822, ativou ainda mais a efervescência intelectual e nacionalista já instalada.

 

2.1.5.1 – Literatura e teatro

 

O romantismo brasileiro teve na literatura sua máxima expressão e assumiu um caráter de verdadeira revolução, acentuado pelas circunstâncias sociais e políticas peculiares às primeiras décadas do novo império. Integrou-se também ativamente à agitação ideológica que precedeu a abolição da escravatura e a proclamação da república.    Apesar das fortes influências francesas, inglesas e alemãs, o romantismo literário assumiu no país características próprias: (1) adaptação dos modelos europeus ao ambiente nacional; (2) introdução de motivos e temas locais, sobretudo indígenas, para a literatura que devia expressar a nacionalidade; (3) reivindicação do direito a uma linguagem brasileira; (4) inclusão obrigatória da paisagem física e social do país, com o enquadramento do regionalismo na literatura; (5) ruptura com os gêneros neoclássicos e criação de uma literatura autônoma.

Iniciadora do movimento, a revista Niterói foi fundada em 1836 e editada em Paris por Domingos José Gonçalves de Magalhães, visconde de Araguaia, autor de Suspiros poéticos e saudades (1836); e Manuel de Araújo Porto Alegre, barão de Santo Ângelo. As primeiras obras brasileiras, sob forte influência de Lamartine e dos poetas alemães, caracterizaram-se pelo nacionalismo e religiosidade.

Joaquim Manuel de Macedo, com A moreninha (1844), é considerado o iniciador do romance brasileiro. Manuel Antônio de Almeida publicou sob pseudônimo o romance mais despojado e resistente do período romântico: Memórias de um sargento de milícias (1854-1855). Típico romance de costumes, que ocupa posição única e destoa da produção literária da época, teve sua importância resgatada pelos modernistas. O romancista José de Alencar, grande teórico e propugnador de uma linguagem brasileira, estimulou a renovação, a valorização dos temas e motivos locais, não só indígenas, como em O guarani (1857) e Iracema (1865), mas igualmente históricos e regionais, como em As minas de prata (1865), O gaúcho (1870), O sertanejo (1876). O regionalismo foi representado sobretudo na obra de Bernardo Guimarães, com O seminarista (1872) e A escrava Isaura (1875), e Alfredo Taunay, com Inocência (1872).

Antônio Gonçalves Dias é considerado o maior poeta romântico brasileiro. Sua vasta e multiforme obra compreende a poesia lírica e intimista de Primeiros cantos (1847) e Segundos cantos (1848), e outras, de caráter medieval, como as Sextilhas de frei Antão (1848). Seguiu-se um período de individualismo subjetivista e angústia existencial, de amores contrariados e tédio. Transparece na produção dos jovens poetas a influência do “mal do século”, do satanismo de Byron, da melancolia de Musset e do amargo pessimismo de Leopardi e Espronceda. A Lira dos vinte anos (1853, póstumo), de Álvares de Azevedo, é obra típica desse romantismo em que predominava a idéia da morte prematura, que realmente atingiu seus representantes. Mesmo Casimiro de Abreu, que cantou em As primaveras (1859) a vida, a força da juventude e a natureza, morreu jovem como os demais. Fagundes Varela, autor de Cantos e fantasias (1866) e Cantos meridionais (1869), dispersou seu talento na boêmia e na vida desregrada e inconstante.

O último período teve como paradigma a poesia dita “condoreira”, de versos grandiloqüentes, inspirada em Victor Hugo. Manifestou-se primeiramente no agitado ambiente da Faculdade de Direito do Recife, de onde se difundiu para todo o país. Caracterizou-se por temas sociopolíticos e patrióticos e idéias igualitárias. Invadiu salões, ruas, praças e teatros e proporcionou às platéias animados duelos declamatórios. Os intelectuais, empolgados pelas campanhas da guerra do Paraguai, da abolição e da república, ansiavam por transformações liberais e democráticas como as que ocorriam na Europa. Dominou a cena Antônio de Castro Alves, com uma obra lírica e combativa, em que se destacam Espumas flutuantes (1870) e Os escravos (1883, póstumo). O movimento se prolongou até a década de 1880, quando foi eclipsado pelo parnasianismo e pelo realismo. Ainda nas primeiras décadas do século XX, no entanto, registraram-se algumas manifestações extemporâneas do estilo.

Gonçalves Dias foi o mais importante autor teatral brasileiro do final do século XIX. Embora inferior a sua produção poética, sua dramaturgia adquiriu alguma importância histórica em meio à fraca produção romântica do teatro nacional.

 

2.1.5.2 – Música

 

Ao lado da literatura, a música brasileira expressou as principais características do movimento romântico mundial, ligadas sobretudo ao nacionalismo e à afirmação da identidade cultural. Carlos Gomes foi o principal compositor romântico do país. Suas obras, que denotam forte influência da música italiana, então dominante, apresentam traços tipicamente brasileiros. A maior parte dos músicos da época buscou a valorização de elementos nacionalistas, embora a formação do compositor erudito no Brasil dependesse ainda completamente das escolas européias. Isso muitas vezes resultou apenas em abordar temas folclóricos nativos numa linguagem musical francesa ou alemã.

Na virada do século, o nacionalismo iniciado com o movimento romântico expressou-se mais fortemente na obra de Alberto Nepomuceno e Antônio Francisco Braga e, já em pleno século XX, configurou-se como a mais importante e autônoma tendência estética da história da música erudita no país. Destacaram-se compositores como Henrique Oswald, Leopoldo Miguez, Francisco Mignone e, sobretudo Heitor Villa-Lobos, internacionalmente reconhecido.

 

2.2 – Modernismo

 

A Semana de Arte Moderna , realizada em fevereiro de 1922, inaugura a primeira fase do modernismo brasileiro. Sob as vaias e desconfianças de um público conservador, os modernistas ridicularizam o parnasianismo e apresentam novas concepções estéticas marcando uma ruptura definitiva com a arte tradicional, o que já vinha sendo preparado desde a década anterior.

Embora não tenha participado diretamente, Manoel Bandeira teve um dos seus poemas lido numa das noites da Semana. Trata-se de “Os Sapos”, escrito em 1918 e publicado em 1919, no qual afinava-se com o espírito demolidor e renovador dos modernistas.

 

2.2.1 – Contexto histórico

As manifestações do período conhecido como Pré-modernismo, foram marcadas por revoltas, intervenções militares e inúmeras greves operárias. Nesse clima, Minas e São Paulo iam repartindo o poder, desfavorecendo as camadas empobrecidas da classe média e as classes trabalhadoras urbanas e rurais.

À época da Semana de Arte Moderna, o quadro geral brasileiro era  de crises sucessivas, que acabaram por gerar a Revolução de 1930. O governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) fora combatido pela própria classe dominante, contrariada por sua negação em continuar subsidiando o café, preferindo favorecer a indústria. Em 1922, por ser “a vez” de Minas, Arthur Bernardes é indicado e eleito para presidir a República, vivendo o país, a partir de então, em estado de sítio sob regime policial. No mesmo ano, oficiais e militares rebelaram-se contra o governo, dando origem ao episódio dos 18 “do Forte”, quando quatro tenentes e catorze soldados do Forte de Copacabana enfrentaram as tropas governistas na praia de Copacabana, com a morte do civil, de dois tenentes e dos catorze soldados.

Em 1924, ocorre outro levante militar, continuidade do tenentismo. Cria-se a Coluna Prestes, que, entre abril de 1925 e fevereiro de 1927, percorreu 24 mil quilômetros, travando combates com forças governistas e jagunços contratados pelos “coronéis”. Em 1929, seus principais líderes exilaram-se na Bolívia, e Luís Carlos Prestes declarou que a luta não tinha mais sentido, pois Arthur Bernardes já não governava.

Em 1930, uma revolução conduz Getúlio Vargas ao poder, substituindo Washington Luís e dando início a uma nova fase da história do Brasil..

Entre 1922 e 1930, temos a primeira fase do Modernismo brasileiro. É claro que essa divisão obedece a critérios  apenas didáticos. Os escritores desse período continuariam a produzir depois de 1930, e nos ano da primeira fase convivem em tendências opostas, algumas já manifestadas anteriormente e que se prolonga depois de 30. Com relação a essa divisão, observe o comentário de Mário de Andrade: “ Mil novecentos e trinta… Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, amizades profundas. O sentido destrutivo e festeiro do movimento modernista já não tinha mais razão de ser, cumprido o seu destino legítimo. Na rua, o povo amotinado gritava: – Getúlio! Getúlio!…”

Em 1930, têm início os quinze anos da ditadura de Getúlio Vargas. A primeira  reação armada contra o regime deu-se em 1932, com o Movimento Constitucionalista de São Paulo, derrotado em dois meses pela superioridade das tropas federais. Entretanto, os revolucionários paulistas alcançaram um dos seus objetivos: a convocação de uma Assembléia Constituinte, que elaborou a Constituição de 34. Essa Constituição de caráter liberal e nacionalista, teve vida curta. Getúlio, com um novo golpe, impôs novo texto constitucional em 1937. Além disso o governo enfrentaria a Intentona Comunista, como ficou conhecido o movimento de revolta contra o governo, em 1935, liderado por Luís Carlos Prestes.

Os comunistas e os integralistas seriam, mais tarde, os grupos que dariam o pretexto a Vargas para o golpe de estado em 1937.

O Integralismo, movimento de conteúdo nazi-facista, liderado por Plínio Salgado, tem sido apontado como responsável indireto pelo golpe de 37. Os integralistas, que tinham como lema “Deus, Pátria e Família”, elaboraram um falso plano de subversão comunista (o plano Cohen), e Getúlio, utilizando-se desse documento, deu o golpe que instaurou o Estado Novo. Os líderes comunistas foram presos, o Senado e a Câmara, fechados e o novo texto constitucional, imposto à nação.

Em 1939, Getúlio criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura aos meios de comunicação.

Com o objetivo de obter apoio junto às massas, Getúlio toma uma série de medidas, configurando um estilo político ao qual foi dado o nome populismo. O país é dotado de uma legislação trabalhista e previdenciária, decreta-se o salário mínimo e adotam-se providências para a criação de um partido trabalhista.

Em 1944, é decretada a anistia para os presos políticos e são convocadas eleições para dezembro de 1945. Porém, as suspeitas de um novo golpe getulista, naquele ano, provocam o descontentamento dos militares, que num movimento liderado pelo general Góis Monteiro, depõem o ditador.

No Brasil, o período que se estende de 1945 a 1985 é marcado por uma série de fatos que causaram profundas transformações e alguns traumas na sociedade brasileira.

Esse período pode ser assim dividido:

 

a)  Da queda de Getúlio aos anos JK (1945-1956)

 

Em 1945, Getúlio Vargas  é deposto, depois de quinze anos de governo ditatorial. No ano seguinte , o general Eurico Gaspar Dutra assume a presidência, aleito pelo voto direto. Promulga-se uma nova Constituição, e o país retorna aos princípios democráticos.

Embora deposto, Getúlio mantém o seu prestígio popular e vence as eleições de 1950. A forte oposição ao seu governo, liderada por Carlos Lacerda, e a exigência de sua renúncia, feita pelos militares, levam-no ao suicídio, na madrugada de 24 de agosto de 1954. João Café Filho assume o poder.

 

b)  Os anos JK (1956-1960)

 

Juscelino Kubitschek de Oliveira, depois de assumir o poder, em janeiro de 1956, dá início ao seu projeto de realizar “cinqüenta anos em cinco”: constrói hidrelétricas e estradas; incentiva a instalação de fábricas de automóveis, aviões e navios e constrói Brasília, para onde mudaria a capital do país em 1960.

O clima democrático, renovador e moderno do seu governo favorece as artes: surgem a Bossa Nova e o Cinema Novo, o teatro passa por profundas transformações, com o trabalho desenvolvido pelo Teatro de Arena e pelo Teatro Brasileiro de Comédia. Paralelamente, a literatura renove-se, sobretudo com Clarisse Lispector e Guimarães Rosa. É também um grande momento da crônica, com Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade. O Brasil vive momentos de alegria: Éder Jofre torna-se campeão mundial de boxe, Maria Ester Bueno destaca-se no tênis internacional e o Brasil ganha a Copa do Mundo de 58.

Em 31 de janeiro de 1961, Juscelino passa a faixa presidencial para Jânio Quadros.

 

c)   Jânio, Jango e a ditadura (1961-1964)

 

Jânio Quadros assume o poder em janeiro de 1961 e renuncia sete meses depois, em 25 de agosto. Depois de muitas negociações entre políticos e militares, João Goulart (ou Jango, como era conhecido) assume o governo, sob o sistema parlamentarista, o qual limitava enormemente os seus poderes, pois a chefia do Executivo ficava a cargo do primeiro-ministro e do Conselho de Ministros, restando ao presidente apenas a função de chefe de Estado.

Com o fim do regime parlamentarista, em 1963, João Goulart resolve tomar medidas de caráter econômico e social, entre elas a regulamentação da remessa de lucros para o exterior, o projeto de reforma agrária, a nacionalização das refinarias de petróleo e a encampação de algumas empresas multinacionais que operavam no Brasil. Um golpe militar, em 1º de abril de 1964, financiado pelos Estados Unidos e por grupos de empresários latifundiários brasileiros, depõe o presidente. Uma junta militar assume o poder e impõe ao Congresso Nacional o nome do general Humberto de Alencar Castelo Branco para a presidência da República.

 

 

 

 

d)Os anos de autoritarismo (1964-1984)

 

Nos vinte anos que sucederam o golpe de 64, o Brasil foi governado por militares: Castelo Branco (64-67); Costa e Silva (67-69); Garrastazu Médici (69-74); Ernesto Geisel (74-79) e João Batista Figueiredo (79-84).

Trata-se de um dos períodos mais negros de nossa história, em que houve a supressão das liberdades democráticas, a cassação de mandatos políticos, a censura à impressa e aos meios de comunicação, o “desaparecimento” ou assassinato de opositores ao regime e um Congresso controlado e algumas vezes fechado ao contrair as ordens do governo. Além disso institucionalizaram-se a corrupção e as chamadas “mordomias” dos políticos e altos funcionários públicos. No plano econômico, a divida externa do Brasil, que em 1964 era de 3 bilhões de dólares, ultrapassou, no final de 1984, a casa dos 100 bilhões. A inflação de 1964 que era de 74% ao ano (o que contribuiu para desestabilizar o governo de João Goulart), atingiu cerca de 200% em 1984! A insatisfação do povo de dos empresários e a crescente crise econômica levaram a sucessivas concessões políticas, terminando com a entrega do poder aos civis.

 

e)  A Nova República (1985-…)

 

Em 1985, um Colégio Eleitoral elege para presidir a república o advogado Tancredo de Almeida Neves. Tancredo falece antes de tomar posse, e em seu lugar assume o vice-presidente, José Sarney.

Inicialmente impopular e sem o apoio político expressivo, José Sarney só consegue popularidade a partir de 1986, ao implantar o Plano Cruzado, que congelou os preços e salários e introduziu o cruzado como uma nova moeda. Entretanto, sua popularidade não durou mais que um ano, graças ao fracasso da política econômica do seu governo.

 

2.2.2 – PRODUÇÃO LITERÁRIA DA TERCEIRA FASE

 

1 – Prosa

 

Em linhas gerais, verifica-se na prosa posterior a 45:

a)   A negação do compromisso com a narrativa referencial, ligada a acontecimentos e à representação realista da realidade.

b)  O espaço exterior passa para segundo plano; a narrativa centra-se no espaço central das personagens, realçando-lhes as características psicológicas em detrimento das características físicas.

c)   Altera-se a linguagem romanesca tradicional. O texto deixa de ser a narrativa de uma aventura para tornar-se a  aventura de uma narrativa. A continuidade temporal é abalada, desfazendo-se a ordem cronológica e, muitas vezes, fundindo-se presente, passado e futuro. A experimentação lingüística e temático formal é levada a extremos. O gênero narrativo deixa-se contaminar mais por outros gêneros, sendo comum a fusão narração – dissertação.

d)  A prosa urbana enfoca o conflito do indivíduo frente à sociedade, e a prosa regionalista renova a sua temática e forma de expressão.

e)   O afastamento cada vez maior da verossimilhança faz com que apareça o realismo fantástico, no qual se acentua a distância entre o estranho e o maravilhoso. Plena utilização de uma linguagem excessivamente metafórica, o autor procura muitas vezes analisar a nossa realidade social.

Entre os romancistas surgidos em 45, destacam-se João Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

 

2 – Poesia

 

A partir de 1945, a poesia brasileira adquire preocupações esteticistas, com a chamada “geração de 45”, como se autodenominaram os poetas que se agruparam em torno da revista Orfel e foram editados a coleção Cancioneiro de Orfel, sob a direção de Fernando Ferreira de Loanda, no Rio de Janeiro.

A “geração de 45” procurou restaurar a disciplina expressiva, o estudo da poética e a investigação verbal. Daí a retomada de formas poética tradicionais, sobretudo o soneto. Apesar de terem retornado também à métrica, não a consideraram obrigatória, sendo utilizado também o verso livre, agora mais trabalho ritmicamente e sob certo rigor e preocupação artesanal.

Entre os poetas da “geração de 45”, destacam-se João Cabral de Melo Neto, Lêdo Ivo, Alphonsus de Guimaraens Filho, Geir Campos, Afonso Félix de Sousa e Thiago de Melo.

Paralelamente, esses poetas foram acompanhados pelos que vinham da geração anterior, como Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Cecília Meireles, Cassiano Ricardo e outros.

A partir de 1950, surgem novas tendências, como o Concretismo, a Poesia-práxis e o Poema/processo. Na década de 70, surge a chamada “poesia marginal”, que só a partir da década de 80 começa a ser objeto de apreciações críticas, muito pouco favoráveis.

 

3 – Teatro

 

A encenação de Vestido de noiva, peça de Nelson Rodriges dirigida por Ziembinski, em 1943, é um marco da renovação do teatro brasileiro. Outro passo dado é com a fundação, em 1948, do Teatro Brasileiro de Comédia, que tinha como diretores Ziembinski e Ruggero Jacobbi. A fundação do Teatro de Arena, em 1953, faz com que apareçam importantes nomes na dramaturgia nacional, como Gianfrancesco Guarnieri (Eles não usam black-tie), Oduvaldo Viana Filho (Chapetuba futebol clube) e Augusto Boal (Revolução na América do Sul).

Na década de 60, surgem o grupo Opinião, liderado por Denoy de Oliveira, Ferreira Gullar e Oduvaldo Viana Filho, e o Teatro Oficina, liderado por José Celso Martinezd’água Correa.

Além dos autores citados, destacam-se Jorge Andrade (A moratória), Adriano Suassuna (Auto da Compadecida), Plínio Marcos (Navalha na carne), Dias Gomes (O bem amado) e Chico Buarque de Holanda (Gota d’água, em parceria com Paulo Pontes).

 

 

 

4 – Crônica

 

A crônica foi um dos gêneros que mais renovou a partir do final da década de 40, registrando a fala do povo e sua psicologia e retratando o cotidiano, com humor, ironia e lirismo, numa perspectiva crítica e reveladora. Destacam-se: Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Eduardo Novaes, Luís Fernando Veríssimo, Affonso Romano de Sant’Anna e Lourenço Diaféria, entre outros.

 

A ficção brasileira encontra em Guimarães Rosa um estilo absolutamente novo, sobretudo no que diz respeito ao tratamento revolucionário da linguagem, rica e inventiva, com vocábulos criados por afixação, hibridismo, justaposição e aglutinação de palavras, além de uma sintaxe peculiar, que tem afastado de seus textos o leitor comum.

Embora voltado para o espaço e as personagens do sertão, Guimarães Rosa soube transcender o mero regionalismo e dar à sua obra um caráter universal, estando ela toda perpassada de uma visão metafísica e de indagações que pertencem ao homem de qualquer tempo e de qualquer região.

Sua obra-prima é o romance Grande sertão: veredas.

 

2.2.3 – Contexto Filosófico

 

Por razões didáticas , costuma-se dividir o Modernismo brasileiro em três fases:

Primeira fase( de 1922 a 1930) ou fase heróica: de combate e destruição, quando ocorre a libertação lingüística e são afirmados os valores estéticos do movimento;

Segunda fase(de 1930 a 1945) ou fase construtiva: de estabilização das conquistas, de preocupação social e de tendência introspectiva;

Terceira fase(de 1945 em diante) fase de reflexão: de ponderação sobre a linguagem, com o retorno a alguns modelos estilísticos tradicionais, ao que se soma uma temática universalista.

A partir de 1950, surgem novas tendências em poesia, como o Concretismo, o Neo-concretismo, a Poesia-práxis e o Poema-processo.

 

A explosão de fevereiro

 

Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, com a participação de Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Mário de Andrade, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho, Vítor Brecheret, Anita Malfatti, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e muitos outros, o Teatro Municipal de São Paulo torna-se o centro de uma verdadeira “atmosfera” das idéias modernistas: são lidos manifestos e poemas, expõem-se quadros e esculturas, e músicas são executadas, tudo diante de um público que reagiu com vaias e apupos. Estava “oficialmente” inaugurado o período de destruição e combate dos primeiros modernistas, que investiam, sobretudo, contra os sólidos valores parnasianos. Manuel Bandeira, que não havia comparecido, teve o seu poema “Os sapos” lido por Ronald de Carvalho, o que exemplifica a intenção dos modernistas em ridicularizar o conservadorismo parnasiano.

 

2.2.4 – As correntes modernistas

 

Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas dividiram-se em grupos e movimentos que refletiam orientações estéticas e ideológicas diversas:

 

1. Movimento Pau-brasil:

 

Lançado em 1924, com a publicação do Manifesto da Poesia Pau-brasil, faziam parte do movimento Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara Machado e Tarsila do Amaral. Tinha como objetivo a revalorização dos elementos primitivos da nossa cultura, através da crítica ao falso nacionalismo e da valorização de obras que redescobrissem o Brasil, seus costumes, seus habitantes e suas paisagens.

 

2. Movimento Verde-amarelo:

 

Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo que fosse importado e tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto, por revelar uma visão reacionária, sobretudo através de Plínio Salgado, que viria a ser um dos principais líderes do Integralismo, movimento político brasileiro de extrema-direita baseado nos moldes fascistas.

 

3. Movimento Antropofágico:

 

Radicalização das idéias do Pau-brasil, foi lançado em 1928, com a publicação do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Participaram do movimento, além de Oswald, Tarsila do Amaral, Raul Bopp, Alcântara Machado e outros. Esse movimento opunha-se ao conservadorismo do Movimento Verde-amarelo (ou escola da Anta).

Várias foram as revistas de divulgação das idéias desses movimentos:

Revista Klaxon (nome dado à buzina externa dos carros): publicada em 1922, teve nove números, sendo a primeira revista de divulgação de trabalhos e idéias dos modernistas.

Revista Terra Roxa e Outras terras: publicada em 1926, com a participação de Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

Revista de Antropofagia: publicada em 1928, foi o órgão de divulgação do Movimento Antropofágico.

Além dessas, surge em 1925, em Belo Horizonte, A Revista, com editorial redigido por Carlos Drummond de Andrade. No Rio de Janeiro, não ocorreram na época rupturas acentuadas, e a revista Festa, publicada em 1927, antes de refletir uma visão modernista, expressava a sobrevivência do espiritualismo simbolista. Dela participaram, entre outros, Tasso da Silveira, Cecília Meireles e Jackson Figueiredo, este último chefe da censura do governo de Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio.

No período compreendido entre 1930 e 1945, as obras dos poetas da primeira fase atingem a sua maturidade. Nessa fase também se consolida a corrente regionalista da literatura brasileira.

Ao contrário do Modernismo paulista, voltado para o futuro e aberto a toda forma de renovação, o regionalismo de 30 mostrou-se conservador, voltado para as tradições nordestinas, seus valores culturais e morais. Mais preocupado com uma razão sociológica da realidade do que com a renovação da linguagem narrativa, o regionalismo de 30 foi um veículo de denúncia dos problemas sociais do Nordeste.

 

2.2.4.1 – POESIA

 

Os poetas que aparecem no início da década de 30 já semeavam num campo preparado pela geração de 22. Esta rompera com o academicismo e renovara a linguagem e o estilo, incorporara o verso livre, o prosaico e o cotidiano. A geração de 30, despreocupada com as questões imediatas de 22 (o nacionalismo, o folclore, a destruição dos esquemas do passado etc.), voltava-se para as questões sociais do homem, o “desconcerto do mundo” e os problemas da sociedade capitalista. É o que se dá, por exemplo, na poesia de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Jorge de Lima. Em Vinícius de Morais e Cecília Meireles, a temática universalizante também estará presente, embora suplantada por uma poesia personalista. Por outro lado, alguns dos mais importantes poetas de 30, entre eles Murilo Mendes, Jorge de Lima e Cecília Meireles, incorporariam a religiosidade e o misticismo em seus poemas.

Finalmente, é preciso observar que a geração de 30 não processou uma mudança repentina e tampouco limita-se àquele período. Os poetas de 22, aos de 30, e alguns desses também continuariam produzindo e se renovando até os nossos dias.

 

2.2.4.2 – PROSA

 

Nos anos 30, a ficção dá novo salto qualitativo com o aparecimento de escritores de grande importância, que se distribuem basicamente em três lados: a prosa regionalista, a prosa regionalista, a prosa urbana e a prosa intimista.

a) Prosa regionalista:

As raízes do regionalismo se encontram no século anterior, com O sertanejo, de José de Alencar, e O cabeleira, de Franklin Távora.

Na década de 20, desenvolve-se no Brasil uma revalorização das tradições regionais , sobretudo através de Gilberto Freyre, sociólogo então recém chegado dos Estados Unidos, onde estivera a estudos. Em 1926 cria-se o Centro Regionalista e realiza-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Regionalismo. Gilberto Freyre afastara-se, de certa forma, dos modernistas de São Paulo, influenciados por idéias importadas da França, pois sua formação sofrera influências anglo-americanas.

A preocupação com a revalorização do Nordeste deve-se em parte ao deslocamento do eixo econômico e cultural para o Sul, quando a indústria açucareira começa a decair. Por outro lado, o capitalismo impessoal de empresários sem vínculos com a região contribuía para a descaracterização cultural do Nordeste, cuja economia tinha bases patriarcais e paternalistas.

Ainda que os regionalistas tenham assimilado as conquistas modernistas, como a aproximação da linguagem literária à linguagem falada e o uso de neologismos, por exemplo, o movimento regionalista de 30 mostrou-se conservador, voltado, por assim dizer, , para o passado. Mas o regionalismo de 30 soube revelar os problemas sociais do Nordeste: o drama das secas e das retiradas, a submissão do homem ao latifundiário, a ignorância e as mazelas políticas da região.

A bagaceira, de José Américo de Almeida, é a obra inaugural e seu prefácio, intitulado “antes que me falem”, constitui um intenso manifesto do regionalismo, de então. A seguir, publicam-se, entre outros, O quinze(1930), de Raquel de Queirós, O país do carnaval(1931), de Jorge Amado e Menino de engenho(1932), de José Lins do Rego. Em 1938, Graciliano Ramos publica Vidas Secas, a obra máxima do romance nordestino.

b) Prosa urbana:

José Geraldo Vieira, Érico Veríssimo e Marques Rebelo são os que mais se destacaram ao retratar o ambiente e as personagens das grandes cidades de então.

c) Prosa intimista:

Os conflitos humanos e as questões psicológicas aparecem nas obras de Lúcio Cardoso, Dionélio Machado e Otávio de Faria. No final do período, surge um dos maiores nomes da literatura brasileira, Clarice Lispector, que merece considerações à parte.

Entre os autores que, na década de 30, buscaram no Nordeste o material para a temática de seus romances, destacam-se Graciliano Ramos e José Lins do Rego.

Ambos procuraram denunciar a degradação humana decorrente de condições sociais e ecológicas adversas. José Lins do Rego, conforme as palavras de Aderaldo Castello, “fixaria o esplendor e decadência do engenho-de-açucar, logo substituído pela usina, num processo de revolução da estrutura social e econômica na paisagem açucareira o Nordeste, latifundiária e patriarcalista”. Graciliano Ramos ora descreve a realidade a partir da visão do sertanejo, como em  Vidas secas, ora questiona o latifúndio e as relações humanas, como em São Bernardo, sempre associando, admiravelmente, a psicologia das personagens com as condições naturais e sociais em que estão inseridas.

A partir de 1945, ocorre uma ruptura dos esquemas narrativos dos anos 30. O romance, que, com poucas exceções, procurava ser uma representação realista da realidade, questiona a sua própria linguagem e subverte os esquemas tradicionais. Essa subversão, contudo, não se dá como a poesia da chamada “geração de 45”, preocupada com o artesanato poético.

Alguns críticos preferem chamar a literatura pós-45 de literatura atual, dada a complexidade de nossa produção literária e o fato de muitos autores estarem produzindo. Outros já estabelecem novos limites. Para estes, se o motor de explosão detonou a revolução moderna, o chip, com o qual o homem ingressa, a partir dos anos 50, na era da Informática, lança-nos num contexto pós-moderno.

Entre os primeiros escritores da terceira fase destacam-se Clarice Lispector e Guimarães Rosa, na prosa e João Cabral de Melo Neto, na poesia.

 

 

 

 

 

2.2.5 – Divisão  Das Fases

           

2.2.5.1 – Primeira fase

 

1 – Mário de Andrade

Mário Raul Morais Andrade, nasceu em São Paulo em 1843 e faleceu também na cidade de origem, em 1945. Além de poeta, romancista e excelente contista, foi crítico literário, professor de piano e de história da música e um estudioso apaixonado pelo folclore brasileiro. Fundou o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tendo sido ainda professor da Universidade do Distrito Federal ( hoje UFRG), onde regeu a caldeira de Filosofia e História da Arte. Participante ativo do movimento modernista brasileiro, e a mais importante figura da geração de 22, deixou-nos uma obra vasta e importante.

 

OBRAS

 

Poesia: Há uma gota de sangue em cada poema(1917); Paulicéia desvairada(1922); Losango cáqui(1926); Clã do Jabuti(1927); Remate de males(1930); Lira paulistana(1946); – publicação póstuma.

Ficção: Amar, verbo intransitivo(1927); Macunaíma(1928); Os contos de Belazarte(1934); Contos novos(1946); – publicação póstuma.

Ensaio: A escrava que não é Isaura(1925); Aspectos da literatura brasileira(1943); O empalhador de passarinhos(1944).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

POESIA

 

O livro de estréia de Mário de Andrade, Há uma gota de sangue em cada poema (1917), apesar de revelar um poeta sensível, motivado pela Primeira Guerra Mundial, é um livro adolescente, de pouco valor estético, apresentando um artista ainda sob influência parnasiano-simbolista.

Em Paulicéia desvairada (1922), vamos encontrar o poeta adulto e renovador, no livro que viria a ser, cronológicamente, o primeiro do Modernismo brasileiro. Nele, o poeta focaliza aspectos humanos, sociais e políticos de São Paulo, em versos livres, de métrica informal, subvertendo os valores estéticos até então vigentes. Palavras, sintagmas, flashes e fragmentos articulam-se numa tentativa de aprender a alma urbana de São Paulo, ora celebrando-lhe a paisagem, ora criticando a burguesia paulistana, ora tentando expressar uma visão totalizante da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

FICÇÃO

 

A obra ficcionista de Mário de Andrade pode ser dividida em duas vertentes: a primeira trata do universo familiar da burguesia paulista e da gente do povo – é o caso do romance Amar, verbo intransitivo (1927) e da série de contos enfeixados em dois livros: Os Contos de Belazarte (1934) e Contos novos (1946) -; a segunda origina-se do aproveitamento de lendas indígenas, mitos, anedotas populares e elementos do folclore nacional, com os quais compôs sua obra-prima, Macunaíma, livro a que chamou de rapsódia, considerando o fato de ter feito uma composição com fragmentos de assuntos variados e heterogêneos.

 

2 – Oswald de Andrade

 

José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo, em 1890 e faleceu também na cidade de origem, em 1954. De família tradicional e abastada, Oswald de Andrade pôde, ainda jovem, em 1912, ir à Europa, onde tomou conhecimento dos manifestos futuristas de Marinetti. Em 1917 conhece Mário de Andrade e Di Cavalcanti, com os quais articula o movimento artístico e literário deflagrado oficialmente na Semana de Arte Moderna. Formado em Direito, seus primeiros trabalhos foram publicados no seminário O pirralho (crítica e humor), fundado por ele em 1911. Esquerdista militante, aderiu ao Partido Comunista em 1931, afastando-se da política em 1945, ano em que obtém o título de Livre-docente em Literatura brasileira na Universidade de São Paulo.

 

OBRAS

 

Poesia: Pau-brasil (1925); Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927).

Romance: Trilogia do exílio: I. Os condenados (1922), II. A estrela do absinto (1927), III. A escada vermelha (1934); Memórias sentimentais de João Miramar (1924); Serafim Ponte Grande (1933); Marco zero I: A revolução melancólica (1943); Marco zero II: Chão (1946).

Teatro: O homem e o cavalo (1943); O rei da vela (1937); A morta (1937); O rei floquinhos (infantil) (1953).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

POESIA

 

Oswald de Andrade buscou uma poesia que expressasse o genuinamente brasileiro e percorresse, desde os tempos coloniais, a vida rural e urbana do país, que procurou ver com olhar ingênuo da criança e o da pureza primitiva do índio. Reaproveitando textos dos primeiros viajantes (Caminha, Gândavo e outros), escreveu poemas breves, em versos livres e brancos, com linguagem coloquial, humor e paródia, recusando a estrutura discursiva do verso tradicional.

 

 

 

PROSA

 

Os romances que compõem a Trilogia do exílio e Marco zero não têm merecido observações muito favoráveis da crítica. O não se pode dizer de “Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande.

Memórias sentimentais de João Miramar é considerado a primeira grande realização da prosa modernista. Rompendo com esquemas tradicionais da narrativa, a obra é construída a partir de fragmentos justapostos, de blocos que rompem com a seqüência discursiva e de capítulos-relâmpagos, assemelhando-se à justaposição das imagens cinematográficas, o que impossibilita uma leitura linear da história e deixa a cargo do leitor a recomposição da narrativa. A paródia, técnica cubista (aproximação de elementos distanciados, como a pintura de um olho sobre uma perna, por exemplo), a frase sincopada, as elipses que devem ser preenchidas pelo leitor, a linguagem infantil é poética, e outras inovações fazem das Memórias uma obra revolucionária para sua época. O recurso metonímico, dentro da técnica cubista, é levado ao extremo, como nesta passagem em que empresta a uma porta as mangas de camisa e as barbas de que foi abri-la:

 

Um cão ladrou à porta barbuda em mangas de camisa e uma lanterna bicor mostrou os iluminados na entrada da parede.

Ainda que, por razões didáticas, estejam incluídos na primeira fase do Modernismo brasileiro, Manoel Bandeira e Cassiano Ricardo chegaram as experiências poéticas mais recentes, como o Concretismo, por exemplo.

Ambos estrearam sob influências parnasiano-simbolistas, mas logo aderiram definitivamente ao Modernismo, criando uma obra original que lhes deu  o destaque merecido entre os poetas mais importantes da nossa literatura.

 

3 – Manoel Bandeira

 

Manoel  Carneiro de Souza Bandeira Filho, nasceu em Recife (Pe), em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1968. Estudou no colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e iniciou o curso de engenharia, em São Paulo, abandonando-o por motivo de saúde. Em busca da cura para a tuberculose, viajou para a Suíça, onde aproximou-se de poetas pró-simbolistas, entre eles Paul Éluard. Em 1917, retornou ao Brasil. Foi professor de literatura no colégio Pedro II e da faculdade Nacional de Filosofia (hoje, UFRJ cinquentanos). Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

 

OBRAS

 

Poesia: A cinza das horas(1917); Carnaval(1919); Ritmo dissoluto(1924);                                               Libertinagem(1930); Estrela da manhã(1936); Lira dos cinquent’anos(1940); Belo belo(1948); Estrela da vida inteira (1966).

Prosa: Crônicas da província do Brasil(1937); Guia de Ouro Preto(1938); Itinerário de Pasárgada (1954); Andorinha, andorinha(1966).

 

 

 

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Manoel Bandeira estreou em 1917, com A cinza das horas, publicando a seguir Carnaval(1919), ambos ainda com resíduos parnasianos e simbolistas, mas já revelando um poeta de espírito renovador.

Com Ritmo dissoluto(1924), aproxima-se mais da estética modernista, graças ao predomínio do verso livre e à procura da “dissolução” da cadência rítmica tradicional, além da incorporação do corriqueiro e cotidiano.

O livro Libertinagem(1930) é definitivamente modernista, caracterizam-no a renovação da linguagem, a fuga do “belo” tradicional em poesia, a incorporação da linguagem coloquial e popular e a temática do dia-a-dia, com poemas tirados de notícias de jornal, de frases corriqueiras, orientados como os demais, por um tom irônico e, ás vezes, trágico. Esses elementos prosseguirão em Estrela da manhã(1936) e estarão presentes nas obras seguintes.

O caráter geral de sua poesia é marcado ainda pelo tom confidencial, pelo desejo insatisfeito, pela amargura e por referências autobiográficas relacionadas com a sua doença, com os lugares onde morou (sobretudo no bairro da Lapa no Rio de Janeiro) e com a família. Profundo conhecedor da técnica de composição poética por vezes aproveita-se  das formas clássicas ou faz incursões às formas mais radicais das vanguardas, sem contudo perder a marca de absoluta simplicidade, predominante em sua obra.

Ainda que se note em várias passagens de sua obra a herança do Romantismo, Bandeira soube evitar o sentimentalismo piegas, edificando uma obra depurada e de grande valor estético.

 

4 – Cassiano Ricardo

 

Cassiano Ricardo Leite, nasceu em São João dos Campos (SP), em 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1974. Estudou Direito em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde diplomou-se em 1917. Retorna a São Paulo, dedicando-sse ao jornalismo, à administração pública e à política. Com Menotti del Picchia e Plínio Salgado, funda o Movimento Verde-amarelo, participando da corrente nacionalista do Modernismo brasileiro. Em 1937, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

 

OBRAS

 

Poesia: Dentro da noite (1915); A Frauta de Pã (1917); Vamos caçar papagaios (1926); Martim-Cererê ou O Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis (1928); O sangue das horas (1943); Um dia depois do outro (1947); Jeremias sem-chorar (1963); Os sobreviventes (1971).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Como outros modernistas da primeira fase, Cassiano Ricardo estreou sob influências parnasiano-simbolistas, de que são exemplos os livros Dentro da noite (1915) e A frauta de Pã (1917). Contudo, sua inquietação estética fez com que chegasse a experiências das vanguardas poéticas mais recentes.

Com Vamos caçar papagaios (1926) e Martim-Cererê (1928), o poeta entra em sua fase nacionalista “verde-amarelista”, em que predomina a brasilidade dos temas. Martim-Cererê, o livro mais importante dessa fase, é uma recriação poética da descoberta e colonização do Brasil. Nele, o poeta incorpora ao seu canto a fauna e a flora brasileiras, o índio, o bandeirante, o imigrante, a temática penetração territorial, a fundação das cidades, nossos heróis e o crescimento de São Paulo.

Em O sangue das horas (1943) e Um dia depois do outro (1947), encontramos o poeta voltado para a reflexão sobre o destino humano e para os sentimentos de solidão, melancolia, frustração, angústia e perplexidade diante da vida.

 

5 – Alcântara Machado

 

Antônio Castilho de Alcântara Machado nasceu em São Paulo no ano de 1901 e faleceu no Rio de Janeiro em 1935. Formou-se em Direito, em São Paulo. Ainda estudante, inicia-se no jornalismo. Terra roxa e Outras Terras e, com Oswald de Andrade, fundou a Revista de Antropofagia. Político militante, foi eleito, em 1935, deputado federal por São Paulo, mas não chegou a ser empossado.

Importante contista da primeira fase do Modernismo, Alcântara Machado retratou a vida e as gentes de São Paulo, deixando-nos numa galeria de tipos singulares. O comerciante, o barbeiro, o torcedor de futebol, a criança levada, são algumas das personagens que compõem essa galeria, em que predomina a figura do imigrante italiano. Nos bairros populares da antiga São Paulo, suas personagens vivem as cenas do cotidiano, a partida de futebol, as brigas de rua, as festas etc. Diminuindo a distância entre a língua falada e a escrita, incorporou a linguagem popular, os italianismos e a sintaxe sem artificialismos, o que resultou numa prova leve e num estilo moderno, por vezes elíptico e telegráfico, feito de orações assindéticas e frases curtas.

 

OBRAS: Pathé Baby (1926); Brás, Bexiga e Barra Funda (1927); Laranja da China (1928); Mana Maria (1936); Novelas paulistanas (1961) – reunião das três obras anteriores.

 

6 – Raul Bopp

 

Raul Bopp, nasceu em Tupanciretã (RS), em 1898. Formado em direito, ingressou na diplomacia, depois da revolução de 30. Participou do movimento Verde-amarelo, aderindo depois ao movimento Antropofágico, cujas idéias estão presentes em Cobra Norato, de 1931.

Escrito em linguagem popular, Cobra Norato descreve a natureza amazônica, sua gente, seus costumes e lendas, seus animais e fenômenos naturais. O poeta, valendo-se de um recurso mágico (enfia-se na pele de Cobra Norato), sai pelo mundo em busca da filha da rainha Luzia.

 

OBRA PRINCIPAL: Cobra Norato(1931).

 

7 – Menotti Del Picchia

 

Paulo Menotti Del Picchia nasceu em São Paulo, em 1892 e faleceu também , em sua cidade de origem, em 1988. Bacharel em direito, exerceu inúmeras atividades: foi agricultor, advogado, jornalista, editor, industrial, banqueiro e deputado federal e estadual. Um dos líderes da Semana de Arte Moderna, participou com Plínio Salgado e Cassiano Ricardo do movimento nacionalista. Foi membro da Academia de Letras.

Menotti Del Picchia antecipou-se a corrente nacionalista de 22, ao publicar Juca Mulato, romance que canta a terra e o homem brasileiro. Em oposição ao Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, Juca Mulato, camponês simples e humilde, cujo o universo restringe-se a sua fazenda, torna-se o herói de um drama universal, o do amor que arrebata o indivíduo, enfraquecendo-lhe o raciocínio e exasperando-o a força do sofrimento. O amor, tornado em antagonista, leva Juca Mulato a travar uma luta consigo mesmo, da qual sai vencedor, graças a perfeita harmonia com os elementos do seu cotidiano: as plantas, os bichos, enfim o cenário em que vive.

 

OBRA PRINCIPAL: Juca Mulato(1917).

 

2.2.5.2 – Segunda fase

 

PROSA

 

1 – Graciliano Ramos

 

Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo (AL), em 1892 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1953. Fez os primeiros estudos no interior de Alagoas e tentou o jornalismo no Rio de Janeiro. Regressou a Palmeira dos Índios (AL), cidade da qual foi prefeito, em 1928, renunciando ao cargo dois anos depois e passando a dirigir a Imprensa Oficial do Estado. Em 1933, foi nomeado Diretor da Instrução Pública. Por suspeita de ligação com o consumismo, foi demitido e preso em 1936. Remetido ao Rio de Janeiro, permaneceu encarcerado na Ilha Grande, onde escreveu Memórias do cárcere. Em 1945, aderiu ao Partido Comunista Brasileiro.

 

OBRAS

 

Romance: Caetés(1933); São Bernardo(1936); Vidas secas(1938).

Conto: Insônia(1947).

Memórias: Infância(1945); Memórias do cárcere(1953); Linhas tortas(1962); Viventes das lagoas(1962). As duas últimas obras foram publicadas postumamente.

Literatura infantil: Histórias de Alexandre(1944); Histórias incompletas(1946).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

De maneira geral, sus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e a psicologia das personagens; ao que se soma uma linguagem precisa , “enxuta” e despojada, de períodos curtos mas de grande força expressiva.

Seu romance de estréia, Caetés(1933), gira em torno de um caso de adultério ocorrido numa pequena cidade do interior nordestino e não está à altura das obras subseqüentes.

São Bernardo(1934), uma de suas obras-primas, narra a ascensão de Paulo Honório, rico proprietário da fazenda São Bernardo. Com o objetivo de ter um herdeiro Paulo Honório casa-se com Madalena, uma professora de idéias progressistas. O ciúme e a incompreensão de Paulo Honório levam-na ao suicídio. Trata-se de um romance admirável, não só pela caracterização da personagem, mas também pelo tratamento dado à problemática da coisificação dos indivíduos.

Angústia, é a história de uma só personagem, que vive a remoer a sua angústia por ter cometido um crime passional.

Entre suas obras auto-biográficas, destaca-se Memórias do cárcere(1953), depoimento sobre as condições dramáticas de sua prisão durante o governo do ditador Getúlio Vargas.

 

2 – José Lins do Rego

 

José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em Pilar (PB), 1901 e faleceu no Rio de Janeiro em 1957. De família ligada à produção açucareira, criou-se no engenho do avô, fato que iria influenciar a sua obra. Formou-se em Direito, no Recife, e foi promotor em Minas Gerais. Exerceu como funcionário do Ministério da Fazenda, o cargo fiscal de bancos, em Maceió, onde conviveu com Graciliano Ramos, Raquel de Queiróz e Jorge Lima. Em 1935, fixou residência no Rio de Janeiro e, em 1953, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

 

OBRAS: Menino de Engenho (1932); Doidinho (1933); Bangüê (1934); O moleque Ricardo (1935); Usina (1936); Pureza (1937); Pedra Bonita (1938); Riacho Doce (1939); Água-mãe (1941); Fogo morto (1943); Eurídice (1947); Cangaceiros (1953).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Segundo o próprio autor, sua obra de ficção pode ser dividida em:

a) Ciclo da cana-de-açúcar: Menino de engenho, Doidinho, Bangüê, Usina e Fogo morto;

b) Ciclo do cangaço: do misticismo e da seca: Pedra Bonita e Cangaceiros;

c) Obras independentes: O moleque Ricardo, Pureza e Riacho Doce (que de algum modo associam-se aos ciclos anteriores).

As obras do chamado “ciclo da cana-de açúcar” são as mais importantes, destacando-se em Fogo Morto. Nelas, o autor procura retratar o início da decadência dos senhores de engenho, o advento da usina-de-açúcar, com seus métodos modernos de produção, e a formação de uma nova estrutura econômica e social na região açucareira do Nordeste.

As características marcantes desse ciclo são: o memorialismo, a visão de mundo sob a ótica do senhor de engenho, a linguagem espontânea e certa consciência crítica em relação à miséria e ao subdesenvolvimento do Nordeste.

 

Érico Veríssimo, com a maioria da suas obras ambientadas no Rio Grande do Sul, deixou-nos romances urbanos, que registram a vida da pequena burguesia porto-alegrense, romances políticos, que denunciam os males do autoritarismo, e a monumental trilogia histórica O tempo e o vento.

Jorge Amado fala-nos da Bahia, sua gente, seu folclore, sua vida boêmia, seu sincretismo religioso, num universo exótico em que comparecem burgueses e personagens das classes populares.

Ambos são romancistas mais lidos e mais populares da literatura brasileira.

 

3 – Érico Veríssimo

 

Érico Lopes Veríssimo nasceu em Cruz Alta, em 1905 e faleceu em Porto Alegre, em 1975. Concluiu o 1º grau (antigo ginásio) em Porto Alegre. De volta a sua cidade natal, empregou-se no comércio, foi bancário e sócio de uma farmácia. Em 1930, transferiu-se para Porto Alegre, onde, depois de trabalhar algum tempo como desenhista e de publicar alguns contos na imprensa local, empregou-se na Editora Globo como secretário do Departamento Editorial. Viajou duas vezes aos Estados Unidos, onde ministrou cursos de literatura brasileira.

 

OBRAS

 

Romance: Clarissa(1933); Caminhos cruzados(1935); Música ao longe(1935); Um lugar ao sol(1936); Olhai os lírios do campo(1938); Saga(1940); O resto é silêncio(1942); O tempo e o vento: I – O continente(1948), II – O retrato(1951), III – O arquipélago(1961); O senhor embaixador(1965); O prisioneiro(1967); Incidente em Antares(1971).

Conto e novela: Fantoches(1932); Noite(1942).

Memórias: Solo de clarineta I(1973); Solo de clarineta II(1975).

Publicou ainda várias obras de ficção didática e literatura infantil, além de narrativas de viagens.

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Costuma-se dividir a obra de Érico Veríssimo em três grupos:

1) Romance urbano: Clarissa, Caminhos cruzados, Um lugar ao sol, Olhai os lírios do campo, Saga e o Resto é silêncio. As obras desta fase registram a vida da pequena burguesia porto-alegrense, com uma visão otimista, às vezes lírica, às vezes crítica, e com uma linguagem tradicional, sem maiores inovações estilísticas.

Desta fase destaca-se Caminhos cruzados, considerado um marco na evolução do romance brasileiro. Nele, Érico Veríssimo usa a técnica do contraponto, desenvolvida por Aldous Huxley (de quem fora tradutor) e que consiste mesclar pontos de vista diferentes (do escritor e das personagens) com a representação fragmentária das situações vividas pelas personagens, sem que haja no texto um centro catalisador.

2) Romance histórico: O tempo e o vento. A trilogia de Érico Veríssimo procura abranger duzentos anos da história do Rio Grande do Sul, de 1745 a 1945. O primeiro volume (O continente), narra a conquista de São Pedro pelos primeiros colonos e é considerado o ponto mais alto de sua obra.

3) Romance político: O senhor embaixador, O prisioneiro e Incidente em Antares. Escrito durante o período da ditadura militar, iniciada em 1964, denunciam os males do autoritarismo e as violações dos direitos humanos. Desta série destaca-se Incidente em Antares.

 

4 – Jorge Amado

 

Jorge Amado de Faria, nasceu em Ferradas (hoje Itabunas (BA)), em 1912. Fez os primeiros estudos em Ilhéus e Salvador, concluindo-os no Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Militante de esquerda , exilou-se várias vezes, fugindo de perseguições políticas. Em 1945, é eleito deputado, em São Paulo, pelo Partido Comunista, perdendo o mandato quando o partido é posto na ilegalidade. Obteve o Prêmio Stalin de Literatura e a Legião de Honra da França. É membro da Academia  Brasileira de Letras desde 1959. Suas obras alcançam mais de trezentas edições em línguas estrangeiras, com milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

 

OBRAS

 

Romance: O país do carnaval(1931); Cacau(1933); Suor(1934); Jubiabá(1935); Mar Morto(1936); Capitães da areia(1937); Terras do sem-fim(1942); São Jorge dos Ilhéus(1944); Seara vermelha(1946); Os subterrâneos da liberdade(1952); Gabriela, cravo e canela(1958); Dona flor e seus dois maridos(1967); Tenda dos milagres(1970); Teresa Batista cansada de guerra(1973); Tieta do agreste(1977); Farda, fardão e camisola de dormir(1979).

Novela: Os velhos marinheiros(1961); Os pastores da noite(1964).

Biografia: ABC de Castro Alves(1941); Vida de Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da esperança(1945).

Teatro: O amor de Castro Alves, reeditado como O amor do soldado(1947).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Costuma-se dividir a obra de Jorge Amado em duas fases. A primeira iniciada com o romance O país do carnaval(1931), caracteriza-se pelo forte conteúdo político e pela denúncia das injustiças sociais, o que muitas vezes dá um caráter panfletário e tendencioso às obras aí incluídas. O esquematismo psicológico das obras dessa primeira fase leva a uma divisão do mundo em heróis (marginais, vagabundos, operários, prostitutas, meninos abandonados, marinheiros etc.) e vilões (a burguesia urbana e os proprietários rurais).

Terras do sem-fim(1942) é uma exceção entre os romances da primeira fase, constituindo uma das obras-primas do autor.

A segunda fase, inicia-se com a publicação de Gabriela, cravo e canela(1958). Fugindo o panfletarismo e ao esquematismo psicológico, Jorge Amado constrói seus romances com elementos folclóricos e populares: os costumes afro-brasileiros, a comida típica, o candomblé, os terreiros, a capoeira etc. O mundo dos marginalizados torna-se então um mundo feliz, pois seus heróis levam uma vida sem preconceitos, sem regras severas de conduta social, o que lhes permite um elevado grau de  liberdade existencial.

A partir de então, como se houvesse descoberto uma fórmula, Jorge Amado insiste nos mesmos esquemas, repetindo com pequenas variações, a mesma “receita”.

 

5 – Carlos Drummond de Andrade

 

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira (MG), 1902 e faleceu no Rio de Janeiro em 1987. Realizou os primeiros estudos em Itabira, Belo Horizonte e Nova Friburgo, formando-se em farmácia, em 1925. Sem interesse pela profissão de farmacêutico, lecionou Geografia e português, dedicando-se também ao jornalismo, atividade que encerrou em 1985. Em 1928, ingressou no funcionarismo público, tendo exercido, entre outros cargos, a chefia de gabinete do ministro da Educação Gustavo Capanema. Apesar de inúmeros convites, nunca se candidatou a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Morreu no Rio de Janeiro, Onde residia desde 1933.

 

OBRAS:

 

Poesia: Alguma poesia (19300; Brejo das almas (1934); Sentimento do mundo (1940); Poesias (1942); A rosa do povo (1945); Viola de bolso (1952); Fazendeiro do ar e poesia até agora (1953); Viola de bolso novamente encordoada (1955); Poemas (1959); A vida passada a limpo (1959); Lição de coisas (1962); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); Menino antigo (1973); As impurezas do branco (1973); Discurso de primavera e algumas sombras (1978); A paixão medida (1980); Corpo (1984).

 

Prosa: Confissões de Minas (1944); Contos de aprendiz (1951); Passeios na ilha (1952); Fala, amendoeira (1957); A bolsa e a vida (1962); Cadeira de balanço (1966); Caminhos de João Brandão (1970); O poder ultrajovem (1972); De notícias & não-notícias faz-se a crônica (1974); 70 historinhas (1978); Boca de luar (1984).

 

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Drummond é sem dúvida, o maior poeta brasileiro contemporâneo. Sua estréia deu-se em 1930, com Alguma poesia. De maneira geral, os poemas desse livro procuram retratar a vida à sua volta. O poeta, livre de preconceitos literários anteriores, procura “trabalhar a realidade com as mãos puras”; fala-nos de cenas do cotidiano, de paisagens, de lembranças, fotografando a realidade, retratando a “vida besta”.

Por outro lado, o poeta manifesta o seu pessimismo e a sua personalidade reservada, tímida, desconfiada, de um poeta que nasceu “para ser um gauche na vida”; outras vezes, deixa transparecer uma fina ironia e humor, utilizando-se também do poema-piada, herança dos modernistas da primeira fase.

Em Brejo das almas (1934), o poeta evolui, abandonando o descritivismo, e acentua o humor de seus versos. Drummond interioriza-se, manifestando um sentimento de decepção e amargura, de falta de sentimento da existência ou de solução para o destino. Além disso, acentua a temática amorosa, num lirismo contido por vezes irônico.

 

POESIA

 

Murilo Mendes e Jorge de Lima foram amigos inseparáveis. Juntos publicaram o livro Tempo e eternidade, com poemas de inspiração católica, através dos quais procuravam “restaurar a poesia em Cristo”. Como Jorge de Lima ficasse mais perto do tempo, enquanto Murilo Mendes preocupava-se mais com a eternidade, Wagner Dutra, um amigo comum, ao vê-lo chegar, costumava dizer: “Lá vem Tempo e Eternidade!”

A obra de ambos, porém, não se restringiu apenas à temática de conteúdo cristão. Murilo Mendes deixou-nos uma grande variedade de poemas que demonstram sua preocupação constante com evolução das formas de expressão, chegando às experiências renovadoras mais atuais. Jorge de Lima legou-nos o poema épico-lírico Invenção de Orfel, síntese grandiosa da sua trajetória poética e que o coloca também entre os maiores poetas de nossa literatura.

 

6 – Murilo Mendes

 

Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora (MG), 1901 a faleceu em Lisboa no ano de 1975. Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1920. Lecionou, desde 1957, estudos brasileiros em Roma. Em 1972, recebeu o Prêmio internacional de Poesia Etna-Taormina.

 

Obras: Poemas (1930); História do Brasil (1932); Tempo e eternidade (1935) – em colaboração com Jorge de Lima; A poesia em pânico (1938); O visionário (1941); As metamorfoses (1944); Mundo enigma (1945); Poesia liberdade (1947); Contemplação de Ouro Preto (1954); Poesias (1959); Siciliana (1959); Tempo espanhol (1959); Poliedro (1962); Convergência (1970).

Prosa: Na idade do serrote (1968); Transistor (1980) – antologia.

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Partindo das primeiras experiências modernistas, Murilo Mendes, sempre preocupado em renovar permanentemente a sua expressão poética, chegou em seus últimos trabalhos a uma total liberdade de criação e experimentação.

Seu livro de estréia, Poemas (1930), contém uma crítica irônica à sociedade técnica e mecanizada. Nele, encontramos a figura da mulher simbolizando a “seiva da vida”. Essa visão crítica será retomada em  O visionário (publicado em 1941, mas com poemas escritos entre 1930 e 1933), no qual se acentua a tentativa de expressão surrealista, já manifestada no primeiro livro, exprimindo um sentimento de angústia diante de um modo absurdo e conturbado.

História do Brasil (1932) contém poemas satíricos que criticam fatos e personagens de nossa história, com um humor bem ao gosto da literatura da primeira fase modernista.

Com  Tempo e eternidade (1935), escrito em colaboração com Jorge de Lima, inicia-se uma vertente significativa da poesia de Murilo Mendes: a religiosidade. Para José Guilherme Merquior, trata-se de “uma religiosidade verticalmente empenhada na crítica da desumanização da vida no mundo contemporâneo”, crítica que também está presente no livro A poesia em pânico (1938).

 

7 – Jorge Lima

 

Jorge Matheos de Lima nasceu em União (AL), 1895 e faleceu no Rio de Janeiro em 1953. Formado em Medicina, foi deputado estadual em Alagoas e professor universitário. Em 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi presidente da Câmara de Vereadores do antigo Distrito Federal.

 

OBRAS:

 

Poesia: XIV alexandrinos (1914); O mundo do menino impossível (1925); Poemas (1927); Novos poemas (1929); Poemas escolhidos (1932); Tempo e eternidade (1935) – em colaboração com Murilo Mendes; Quatro poemas negros (1937); A túnica inconsútil (1938); Poemas negros (1947); Livro de sonetos (1949); Anunciação e encontro de Mira-celi (1950); Invenção de Orfel (1952).

Romance: O anjo (1934); Calunga (1935).

 

 

 

 

 

 

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Em estudo recente, Gilberto Mendonça Teles divide a obra de Jorge de Lima em três fases:

 

a) Fase de formação

 

Abrange o início de sua atividade poética até 1932. Dessa fase são os livros: XIV alexandrinos (1914),  Poemas (1927), Novos poemas (1929), Poemas escolhidos (1932) e Poemas negros, que, embora publicado em 1947, tem marcas estilísticas da primeira fase.

Num primeiro momento dessa fase, o poeta, ainda sob influência parnasiana, privilegia o soneto e esmera-se num vocabulário bem ao gosto parnasiano.

A partir de Poemas (1927), Jorge de Lima adere ao Modernismo, com textos marcados por cenas da infância, pelo sentimento nacionalista, por referências ao Nordeste e pela forte influência de elementos do folclore negro.

 

 b) Fase de Transformação

 

Pertencem a essa fase os livros: Tempo e eternidade (1935), A túnica inconsútil (1938), Associação e encontro de Mira-Celi (1943) e  Livro de sonetos (1949). Nessa fase, o poeta apresenta-se bastante envolvido com problemas religiosos e metafísicos, engajando-se plenamente no tema do catolicismo e aprimorando o verso livre e a expressão metafórica. A essa fase pertence o poema “A ave”.

 

c) Fase de Confirmação

 

Nessa fase, o poeta consolida-se, afirma-se e recupera-se, como que confirmando todas suas qualidades. Dessa fase é o poema épico-lírico Invenção de Orfeu (1952), um dos mais belos livros de nossa literatura. Trabalhando conscientemente sobre o modelo épico de Camões, Jorge Lima, preocupado com a metalinguagem, apropria-se dos clássicos, numa técnica de colagem em que aparece, além de Camões, Dante, Milton e Virgílio. Além disso, o poeta atualiza elementos de nossa cultura – mitos luso-brasileiros fundem-se com suas leituras e seu conhecimento histórico – e procura interpretar simbolicamente a relação do homem com o universo.

Cecília Meireles e Vinícius de Morais têm um ponto em comum: a música. Tendo ingressado no Conservatório de Música, Cecília Meireles estudou canto, violino e piano. Vinícius compôs o seu primeiro samba (música e letra) em 1953, participou do movimento Bossa Nova e, com inúmeros parceiros, continuou compondo até seus últimos dias. Isso talvez explique o fato de ambos serem poetas líricos por excelência (de lira, instrumento musical de cordas). Lirismo que, a princípio, fora em ambos expressão de um sentimento religioso, mas que aos poucos estendeu-se aos temas universalizantes e cotidianos, como veremos a seguir.

 

8 – Vinícius de Morais

 

Marcus Vinícius de Melo Morais nasceu no Rio de Janeiro, em 1913 e faleceu no Rio de Janeiro no ano de 1980. Bacharelou-se em Letras no Colégio Santo Inácio (RJ), em 1929, e formou-se em Direito, em 1933. Dez anos depois, ingressou na carreira diplomática, tendo servido em diversos países. Dedicou-se ao cinema e a música, destacando-se no movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar Bossa Nova.

 

OBRAS:

 

Poesia: O caminho para a distância (1933); Forma e exegese (1935); Ariana, a mulher (1936); Novos poemas (1938); Cinco elegias (1943); Poemas, sonetos e baladas (1946); Pátria minha (1949); Livro de sonetos (1957); Novos poemas-II (1957).

Crônica: Para viver um grande amor (1962); Para uma menina como uma flor (1966).

Teatro: Orfel da Conceição (1960) – em versos; Procura-se uma rosa (1961) – de colaboração com Pedro Bloch e Gláucio Gil; Cordélia e o peregrino (1965) – em versos.

Obra completa: Publicada em vida do autor e organizada com a sua assistência, reagrupa com outros títulos as suas obras e incorpora texto esparsos e o conjunto de suas canções.

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Compreende os livros: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Adriana, a mulher (1936), Novos poemas (1938) e Cinco elegias (1943); este último, um livro de transição.

Em O caminho para a distância, o poeta manifesta sua preocupação religiosa e sua angústia diante do mundo, revelando também o seu conflito entre o sensualismo e o sentimento religioso. O amor é tido como um elemento negativo que, ligando-o ao mundo terreno, impede a libertação do espírito. O livro guarda um tom adolescente e as imagens não têm o vigor que alcançariam mais tarde. Trata-se de uma obra imatura.

A partir de Forma e exegese, os versos ganham liberdade expressiva e tornam-se mais extensos. O poeta volta-se para o cotidiano, sem contudo abandonar o desejo de transcendência. A mulher torna-se figura central de sua poesia – mais ainda envolta por um forte misticismo, que contribui para a sua caracterização como ser divinizado -, e o poeta procura harmonizar sensualismo e erotismo com apelos espirituais.

O tom declamatório e os versos longos, que nos lembram versículos bíblicos, mantêm o poeta ainda distante das conquistas expressivas mais modernas.

Essa primeira fase, segundo o próprio Vinícius, termina com Ariana, a mulher. Cinco elegias seria o livro de transição.

Nessa fase sua temática ganha novas características universalizantes e sociais, o que se exemplifica no poema “O operário em construção”.

Poeta lírico por excelência, Vinícius alia temas modernos à mais apurada forma clássica de composição, o soneto, deixando-nos obras-primas.

 

9- Cecília Meireles

 

Cecília Meireles nasceu no Rio de janeiro em 1901 e faleceu na mesma cidade no ano de 1964. Diplomou-se como professora pela Escola Normal (Instituto de Educação-RJ) em 1917. Além de se dedicar ao magistério primário, colaborou nos principais jornais cariocas e deu cursos de Literatura brasileira nos Estados Unidos e no México. Premiada duas vezes pela Academia Brasileira de Letras, soma-se também à sua biografia o título de doutora honoris causa, da Universidade de Delhi (Índia).

 

OBRAS:

 

Poesia: Espectros (1919); Nunca mais… e Poema dos poemas (1923); Baladas para El-rei (1925); Viagem (1939); Vaga música (1942); Mar absoluto (1945); Retrato natural (1949); Amor em Leonoreta (1951); Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952); Romanceiro da Inconfidência (1953); Pequeno oratório de Santa Clara (1955); Pistóia, cemitério militar brasileiro (1955); Canções (1956); Romance de Santa Cecília (1957); Metal rosicler (1960); Poemas escritos na Índia (1961); Solombra (1963); Ou isto ou aquilo (1965); Crônica trovada (1965). As duas últimas obras foram publicadas postumamente.

Publicou também crônicas, textos para teatro, prosa poética e ficção.

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Cecília Meireles estréia em 1919, com Espectros, livro de influências parnasianas; lança a seguir Nunca mais… e Poema dos poemas (1923) e Baladas para El-rei (1925), ambos de temática predominantemente mística e que refletem a sua ligação com o grupo espiritualista da revista Festa. Esses três primeiros livros seriam, mais tarde, postos de lado pela poetisa, que não os inclui na edição de sua Obra poética, coletânea de 1958.

Cremos, portanto, que Cecília Meireles preferiu tomar como ponto de partida de sua trajetória poética o livro Viagem (1939), pelo qual recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras.

Viagem, livro que demonstra uma maior maturidade poética, apesar de manter-se dentro dos padrões tradicionais, ultrapassa o primeiro momento do Modernismo brasileiro (anedótico e nacionalista). Ao gosto pela tradição, soma-se uma visão filosófica e universalizante. As indagações sobre a brevidade da vida, o sentido da existência, a solidão e a incompreensão humana, presentes em Viagem, permaneceriam em quase toda sua obra, perpassada por um sentimento de pessimismo e desencanto.

 

2.2.5.3 – Terceira fase

 

 

1 – Guimarães Rosa

 

João Guimarães Rosa nasceu em Cotisburgo (MG) em 1908 e faleceu em 1967 no Rio de Janeiro. Formou-se em Medicina e exerceu a profissão até 1934, quando ingressa na carreira diplomática, servindo na Alemanha, Colômbia e França. Em 1963, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, adiando a posse até 1967. Morreu neste ano três dias depois da solenidade de posse, vítima de um colapso cardíaco.

 

OBRAS:

 

Conto: Sagarana (1946); Primeiras estórias (1962); Tutaméia: terceiras estórias (1967); Estas estórias (1969) – publicação póstuma.

Novela: Corpo de baile (1956) – publicado posteriormente em três volumes: Manuelzão e Minguilim; No urubuquaquá, no Pinhém; Noites do sertão.

Romance: Grande Sertão: veredas (1956).

Diversos: Com vaqueiro Mariano (1952); Ave, palavra (1970) – publicação póstuma; O ministério dos MMM (em colaboração).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Embora de caráter regionalista, a obra de Guimarães Rosa supera o regionalismo tradicional, que ora idealizava o sertanejo, ora se comprazia com aspectos meramente pitorescos, com o realismo documental ou com a transcrição da linguagem popular e coloquial.

Essa superação deve-se à riqueza de sua linguagem e ao caráter universal das questões morais e metafísicas presentes em sua  obra.

Criando um estilo absolutamente novo na ficção brasileira, Guimarães Rosa estiliza o linguajar sertanejo, recria e inventa palavras, mescla arcaísmos com vocábulos eruditos, populares e modernos, combina de maneira original as palavras, prefixos e sufixos, constrói uma sintaxe peculiar e explora as possibilidades sonoras da linguagem, através de aliterações, onomatopéias, hiatos, ecos, homofonias etc.

No cerne dessa linguagem nova, na qual prosa e poesia confundem-se, estão as indagações universais do homem: o sentido da vida e da morte, a existência ou não de Deus e do diabo, o significado do amor, do ódio, da ambição etc.

 

A exemplo de Guimarães Rosa, Clarice Lispector teve grande destaque na terceira fase do Modernismo brasileiro. Em sua obra, encontramos mudanças significativas na prosa brasileira; mudanças essas que se verificam tanto ao nível da construção como ao nível da temática. No que se refere à construção narrativa, observamos o predomínio da introspecção, o rompimento com a linearidade episódica, que se fragmenta em sua estrutura, a valorização dos aspectos psicológicos das personagens em detrimento das ações e a opção pelo fluxo de consciência como elemento norteador do processo narrativo. Quanto à temática, esta apresenta-se profundamente marcada pelo existencialismo, questionando sempre o “estar no mundo” e o sentido da existência e focalizando a solidão do homem e sua angustiante dualidade entre uma existência autêntica ou inautêntica.

 

2 – Clarice Lispector

 

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia na cidade de Tchetchelnik no ano de 1926 e faleceu no Rio de Janeiro em 1977. Clarice Lispector tinha apenas dois meses de idade quando seus pais chegaram ao Brasil. Criou-se no Recife, mudando-se para o Rio de Janeiro aos doze anos. Formou-se em Direito e pôde conhecer vários países da Europa, acompanhando o marido, que era diplomata. Aos dezessete anos de idade, escreveu seu primeiro livro, o romance Perto do coração selvagem.

 

OBRAS:

 

Romance: Perto do coração selvagem (1944); O lustre (1946); A cidade sitiada (1949); A maçã no escuro (1961); A paixão segundo G.H. (1964); Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969); Água viva (1973); A hora da estrela (1977).

Conto: Alguns contos (1952); Laços de família (1960); A legião estrangeira (1964); Felicidade clandestina (1971); Imitação da rosa (1973); A via-crucis do corpo (1974); A bela e a fera (1979) – publicação póstuma.

Crônica: Visão do esplendor (1975); Para não esquecer (1978) – publicação póstuma.

Literatura infantil: O mistério do coelho pensante (1967); A mulher que matou os peixes (1969); A vida íntima de Laura (1974); Quase verdade (1978) – publicação póstuma.

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

Na obra de Clarice Lispector, a caracterização das personagens e as ações são elementos secundários. Importa-lhe captar a vivência interior das personagens e da complexidade de seus aspectos psicológicos. Daí resultam uma narrativa introspectiva e o monólogo interior, em que muitas vezes percebe-se o envolvimento do narrador, ficando difícil estabelecer fronteiras entre narrador e personagens. Essa centralização na consciência contribui para a digressão, a fragmentação dos episódios e o desencadeamento do “fluxo de consciência”, isto é, a expressão direta dos estados mentais, nos quais parece manifestar-se diretamente o inconsciente, do que resulta certa perda de seqüência lógica.

Na trilha filosófica do existencialismo, Clarice enfatiza a angústia do homem diante sua liberdade para escolher o curso que deseja dar à sua vida. Essa escolha é necessária, já que sua existência não está predeterminada, e a maneira de cada indivíduo ser e estar no mundo e entendê-lo resulta de sua própria opção. Assim, ele tem a liberdade de optar por uma vida autêntica e questionadora, mas isso provavelmente o levará a enxergar um mundo absurdo em que nada faz sentido e, conseqüentemente, a afundar-se num abismo de perplexidades. Por outro lado, pode refugiar-se da banalidade do cotidiano e nos interesses imediatos, limitados e efêmeros, os quais certamente nunca o deixarão plenamente satisfeito.

As narrativas de Clarice Lispector quase sempre focalizam um monumento de revelação, um momento especial em que a personagem defronta-se subitamente com verdade. Esse momento especial é o que James Joyce chamou de epifania (que, no vocabulário religioso, refere-se à manifestação divina). A epifania é uma manifestação espiritual súbita, provocada por uma experiência que, a princípio, mostra-se simples e rotineira, mas acaba por mostrar a força de uma inusitada revelação. Os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas provocam uma iluminação repentina na consciência da personagem.

 

Situado na chamada “geração de 45”, João Cabral de Melo Neto dela se destaca com uma poesia cujo traços essências são a concisão e a precisão. Preocupado com a organização do texto, com rigor de sua construção, João Cabral identifica-se com o “poeta-engenheiro” da forma poética, abdicando o sentimentalismo pela contenção da subjetividade.

Dois aspectos principais norteiam a sua poesia: auto-análise da composição poética, do que resultaram inúmeros poemas metalingüísticos, e a temática social, voltada para o sofrimento do homem nordestino.

 

3 – João Cabral de Melo Neto

 

João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife (PE) no ano de 1920. Passou a infância em Pernambuco e estudou com os Irmãos Maristas, em Recife, mas não fez nenhum curso superior. Em 1942, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi nomeado por concurso, Assistente de seleção do DASP, em 1943, e diplomata, em 1945. Em 1947, foi servir em Barcelona, depois em Londres, Servilha, Marcelha, Madri, Genebra, Berna e Assunção. Promovido  a embaixador, em 1976, sua primeira representação foi no Senegal. Atualmente ainda é membro do corpo diplomático. Em 1968, foi eleito por unanimidade pela Academia Brasileira de Letras.

 

OBRAS:

 

Poesia: Pedra no sono (1942); O engenheiro (1945); Psicologia da composição (1947); O cão sem plumas (1950); O rio (1954); Morte e vida severina (1956); Paisagens com figuras (1956); Uma faca só lâmina (1956); Terceira feira (1961), reunindo Quaderna, Dois parlamentos e serial; A educação pela pedra (1966); Museu de tudo (1975); Poesia crítica (1982) – antologia; Auto do frade (1984).

 

CARACTERÍSTICAS DA OBRA

 

“Saio de meu poema / como quem lava as mãos”. Esses versos que iniciam o poema “Psicologia da composição”, revelam que para João Cabral de Melo Neto a poesia deixa de ser fruto de um momento de inspiração e passa a ser o resultado de um esforço cerebral, um trabalho de artesão da palavra. O ato de “lavar as mãos” ao terminar um poema identifica-se com o fim do artesanato do escultor, do modelador. E é à semelhança deles que João Cabral engendra a sua poesia, fazendo-a com suor, preocupando-se com a organização do texto, a concisão e a precisão da linguagem, e buscando a palavra objetiva, exata, para a concretização de uma composição poética que mantém sob contenção a musicalidade fácil e repudia o exagero metafórico.

Seu primeiro livro, Pedra do sono (1942), reúne vinte poemas curtos, escritos aos vinte anos, nos quais predominam imagens surrealistas.

Com O engenheiro (1945) começam a se revelar os traços essenciais de sua poesia: o racionalismo e a construção artesanal do poema. Desse livro é o poema “A lição de poesia”.

Com Psicologia da composição (1947), João Cabral dá o passo definitivo em direção à objetividade poética que marca toda a sua obra a partir de então. O livro contém, em sua maioria, poemas sobre o fazer poético, nos quais leva mais adiante a sua objetividade, rejeitando a poesia como fruto de inspiração.

 

 

2.3 – Realismo

 

Um artigo publicado em 1826 no Mercure Français du XIXème Siècle apresentou a doutrina estética chamada realismo. O movimento foi o primeiro a retratar a vida, aparência, problemas e costumes das classes média e baixa, com seus fatos ordinários e banais.

Realismo é o estilo artístico baseado na fiel e minuciosa reprodução de modelos da natureza e da vida contemporânea. Em sentido amplo, o termo designa toda atividade artística baseada na reprodução da realidade. Assim compreendido, o realismo se encontra, por exemplo, nas artes plásticas de diferentes períodos, como entre os antigos gregos, na obra de pintores do século XVII, como Caravaggio, Velázquez e Zurbarán, e na literatura inglesa do século XVIII, com Daniel Defoe, Henry Fielding e Tobias Smollett. Em sentido estrito, realismo é o movimento cultural predominante na França entre 1850 e 1880, mas estendido a toda a Europa e a outros continentes, que adotou pela primeira vez a reprodução da realidade como programa estético, em substituição à arte inspirada em modelos do passado.

Os teóricos franceses do realismo manifestavam seu repúdio à artificialidade do classicismo e do romantismo, e enfatizavam a necessidade de conferir verdade e contemporaneidade ao trabalho artístico. Os artistas integrantes do movimento propunham-se conscientemente a retratar aspectos até então ignorados da sociedade e da vida contemporâneas, no que diz respeito a atitudes mentais, condições materiais e ambientes físicos.

O realismo foi estimulado por várias manifestações intelectuais da primeira metade do século XIX, entre as quais o movimento alemão anti-romântico, com sua ênfase no homem comum como objeto da obra de arte; o positivismo de Comte, que enfatizava a importância da sociologia como estudo científico da sociedade; o surgimento do jornalismo profissional, com a proposta de um registro isento dos eventos contemporâneos; e o advento da fotografia, capaz de reproduzir mecanicamente e com extrema precisão as informações visuais.

 

 

 

 

 

2.3.1 – Artes plásticas

 

No início da década de 1830, um grupo de pintores, entre os quais Théodore Rousseau, Charles-François Daubigny e Jean-François Millet, estabeleceu-se no povoado francês de Barbizon com a intenção de reproduzir as características da paisagem local. Cada um com seu estilo, enfatizaram em seus trabalhos o simples e ordinário, ao invés dos aspectos grandiosos da natureza. Millet foi um dos primeiros artistas a pintar camponeses dando-lhes um destaque até então reservado a figuras de alto nível social. Outro importante artista francês freqüentemente associado ao realismo foi Honoré Daumier, ardente democrata que usou a habilidade como caricaturista a favor de suas posições políticas.

O primeiro pintor a enunciar e praticar deliberadamente a estética realista foi Gustave Courbet. Como a enorme tela “O estúdio” foi rejeitada pela Exposition Universelle de 1855, o artista decidiu expor esse e outros trabalhos num pavilhão especialmente montado e deu à mostra o nome de “Realismo, G. Courbet”. Adversário da arte idealista, incitou outros artistas a fazer da vida comum e contemporânea motivo de suas obras, no que considerava uma arte verdadeiramente democrática. Courbet chocou o público e a crítica com a rude franqueza de seus retratos de operários e camponeses em cenas da vida diária.

O realismo tornou-se uma corrente definida na arte do século XX. A ela se integram as cenas quase jornalísticas do lado mais desagradável da vida urbana produzidas pelo grupo americano conhecido como Os Oito, e a expressão do cinismo e da desilusão do período após a primeira guerra mundial na Alemanha, presente nas obras do movimento conhecido como Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade).

O realismo socialista, adotado como estética oficial na União Soviética a partir dos primeiros anos da década de 1930, foi pouco fiel às características originais do movimento. Embora se propusesse também a ser um espelho da vida, sua veracidade deveria estar de acordo com a ideologia marxista e as necessidades da construção do socialismo. O maior teórico do realismo socialista foi o húngaro György Lukács, para quem o realismo não se limita à descrição do que existe, mas se estende à participação ativa do artista na representação das novas formas da realidade. Essa doutrina foi implementada na União Soviética por Andrei Jdanov. Em pintura, destacou-se entre os soviéticos Aleksandr Gherassimov. Os retratos de intrépidos trabalhadores produzidos dentro da linha do realismo socialista, no entanto, deixam transparecer um positivismo heróico, mas a ambição realista perde-se na idealização de uma organização social perfeita. Grande número de artistas soviéticos, partidários de uma sociedade de justiça social mas cerceados em sua liberdade essencial de criar, abandonaram o realismo socialista, deixaram a União Soviética e se integraram aos movimentos artísticos do Ocidente.

 

2.3.2 – Literatura

 

Oposição ao idealismo e ao romantismo, isto é, à idealização e ao subjetivismo que abordam temas desligados da vida comum, a narrativa realista teve  como principais características a localização precisa do ambiente, a descrição de costumes e acontecimentos contemporâneos em seus mínimos detalhes, a reprodução da linguagem coloquial, familiar e regional e a busca da objetividade na descrição e análise dos personagens. O romantismo do final do século XVIII e início do XIX, com sua ênfase no individualismo e na exaltação dos sentimentos, era sua antítese. Contudo, a crítica moderna mostrou haver ali certos elementos que prepararam o advento do realismo. Assim, a introdução do concreto na arte, do familiar na linguagem, do documental e do exótico, do método histórico na crítica, foram obra do romantismo. Isso possibilitou que muitos escritores, como Stendhal e Balzac, participassem de ambos os movimentos, com predominância ora da imaginação, ora da observação.

Honoré de Balzac foi o grande precursor do realismo literário, com a tentativa de criar um detalhado e enciclopédico retrato da sociedade francesa na obra La Comédie humaine (1834-1837; A comédia humana). Mas a primeira proposta realista deliberada surgiu apenas na década de 1850, inspirada pela pintura de Courbet. O jornalista francês Jules-François-Félix-Husson Champfleury divulgou o trabalho do pintor e transferiu seus conceitos para a literatura em Le Réalisme (1857). No mesmo ano, publicou-se o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Retrato implacável da mentalidade burguesa, com seu exame minucioso das emoções de uma mulher infeliz de classe média, é a obra-prima do realismo e responsável pela sedimentação do movimento na literatura européia. Os irmãos Jules e Edmond Goncourt, em Germinie Lacerteux (1864) e outros trabalhos, descrevem grande variedade de ambientes, assim como as relações entre as classes sociais.

Os princípios do realismo dominaram a literatura européia durante as décadas de 1860 e 1870. Charles Dickens e George Eliot na Inglaterra, Lev Tolstoi e Fiodor Dostoievski na Rússia, e, mais tarde, o jovem Thomas Mann, na Alemanha, todos incorporaram elementos realistas a seus romances. Os representantes do movimento adotaram uma concepção filosófica inspirada no positivismo e no determinismo científico de sua época e atitudes liberais, republicanas e anticlericais. Como significativo desdobramento, o naturalismo do final do século XIX e início do XX, que teve como principal expoente Émile Zola, levou às últimas conseqüências e a detalhes íntimos a proposta de representação fiel do quotidiano comum.

Na poesia, o realismo encontrou correspondência no parnasianismo, com seu culto da objetividade, da forma impecável, da arte pela arte, tal como foi expressa por Théophile Gautier, Leconte de Lisle e Sully Prudhomme.

 

Assimilação portuguesa

 

Em Portugal, o movimento realista é da maior importância pela mudança radical que operou na consciência literária e na mentalidade dos intelectuais. Eclodiu com a chamada Questão Coimbrã,  polêmica literária que opôs, de um lado, Antero de Quental, Teófilo Braga e a geração de escritores surgida na década de 1860 e, de outro, os representantes da geração anterior. Em 1871, Eça de Queirós proferiu uma conferência denominada “Realismo como nova expressão da arte” e, dois anos depois, publicou o conto “Singularidades duma rapariga loira”, considerado a primeira narrativa realista escrita em português. A arte nova, para seus principais representantes, devia consistir na observação e experiência, na análise psicológica dos tipos, no esclarecimento dos problemas humanos e sociais, no aperfeiçoamento da literatura, isenta da retórica, da fantasia, da arte pura. Era uma arte revolucionária.

O crime do padre Amaro (1875) e O primo Basílio (1876), de Eça de Queirós, consolidaram o realismo português. Em ambos os romances, a descrição minuciosa e a análise psicológica baseada em princípios deterministas, nas idéias da hereditariedade e influência do meio, além da severa crítica de costumes, tomam nítida feição naturalista. Apesar da oposição do público e da crítica, o movimento progrediu com José-Francisco de Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Francisco Teixeira de Queirós. Na década de 1890, o realismo, confundido ao naturalismo, perdera muito de sua força. Mais que uma escola literária, o realismo português pode ser considerado um novo sentimento e uma nova atitude, em reação ao idealismo romântico.

 

2.3.3 – Realismo no Brasil

 

O forte caráter ideológico que permeou o realismo europeu, tanto na pintura como na literatura, não teve correspondente exato no Brasil. Mais precisamente, foram consideradas realistas as obras brasileiras que, por características anti-românticas, não se enquadravam nas classificações da época e denotavam uma nova estética. Nesse sentido mais amplo, pode-se dizer que traços realistas estiveram presentes em obras anteriores ao surgimento da ficção propriamente brasileira, como no teatro de costumes de Martins Pena e na poesia de Gregório de Matos. Contemporaneamente ao movimento europeu, a estética realista manifestou-se no país com a geração de 1870, especialmente em Recife, com o grupo liderado pelos críticos literários Tobias Barreto e Sílvio Romero, em reação ao romantismo decadente. Na ficção, a obra de Machado de Assis e Raul Pompéia aprofundou o realismo psicológico, além do ambiental. O ateneu (1888), de Raul Pompéia, foi romance ousado e surpreendente para sua época, enquanto Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1907), de Machado de Assis, apresentam inovações também do ponto de vista da linguagem e da estrutura formal. O naturalismo de Zola inspirou as obras de Aluísio Azevedo, Inglês de Sousa e Adolfo Caminha.

O realismo brasileiro acabou também por provocar uma espécie de tomada de consciência geral em todos os campos do conhecimento, traduzida, inclusive, em participação política ativa de numerosos intelectuais, que desde essa época começaram a interessar-se mais objetivamente pelos problemas nacionais e suas soluções. Superado o realismo como escola, permanece a idéia, que lhe é essencial, de aproximar cada vez mais a arte da vida. As tendências contemporâneas prosseguem buscando-a, como o provam tendências estéticas inspiradas no socialismo, na psicanálise e no existencialismo, tais como o realismo socialista, o expressionismo e o nouveau roman.

 

2.3.3.1 – Teatro

 

O realismo no teatro orientou, no final do século XIX, os textos e as montagens no sentido da naturalidade e da reprodução do quotidiano. Henrik Ibsen e August Strindberg na Escandinávia, Anton Tchekhov e Maksim Gorki na Rússia, entre outros, rejeitaram a linguagem poética, a declamação e a dicção artificial e usaram ação e diálogos calcados no comportamento e fala diários. Os cenários retratavam o mais fielmente possível os ambientes.

 

 

 

2.4 – Simbolismo

 

No final do século XIX, época em que predominavam as idéias positivistas e mecanicistas a que a humanidade foi levada pelo anseio de objetividade, o simbolismo enfatizou o valor intrínseco do indivíduo e de sua realidade subjetiva.

Simbolismo é o nome da tendência literária — sobretudo poética — que surgiu na França durante as duas últimas décadas do século XIX, como reação à impassibilidade e à rigidez das fórmulas parnasianas e, secundariamente, à crueza do romance naturalista. No plano social e filosófico, constituiu uma réplica ao positivismo científico-mecanicista e ao realismo objetivo que dominaram a segunda metade do século XIX. Também foi chamado simbolismo o movimento surgido à mesma época na pintura, como reação ao impressionismo e ao naturalismo.

 

2.4.1 – Pré-simbolistas

 

O emprego de símbolos em literatura não constituiu invenção ou privilégio dos poetas da nova escola. Vários autores anteriores já haviam utilizado os mesmos elementos pelos quais o simbolismo se definiu. Entre eles, os mais citados pelos integrantes do próprio movimento são Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud.

O soneto “Correspondances”, de Baudelaire, é geralmente tomado como ponto de partida para o estabelecimento dos cânones formais e de conteúdo do simbolismo. Nele estariam esboçadas as diretrizes fundamentais do movimento. Com base nas teorias de Edgar Allan Poe sobre a criação poética, Baudelaire entendia o poeta como intérprete de uma simbologia universal que manifesta uma idéia por meio de cada objeto do mundo sensível. Assim, a criação poética e a criação cósmica seriam paralelas. A estética de Baudelaire tinha uma clara afinidade com quatro autores cujas teorias embasaram a estética simbolista: Novalis, Poe, Richard Wagner e o místico sueco Emanuel Swedenborg.

Outro dos precursores do movimento foi Villiers de L’Isle-Adam. Em sua obra, em especial na peça Axel, publicada postumamente em 1890, estão presentes quase todos os elementos da poética de Baudelaire e da dramaturgia wagneriana, além do esteticismo, do misticismo e do evasionismo que caracterizam a primeira fase do simbolismo.

Dois nomes, os de Lautréamont e Rimbaud, se destacam entre os poetas franceses cujas obras se situam entre o lançamento de Fleurs du mal (1857; Flores do mal) e a maturidade do simbolismo, alcançada por volta de 1880. O Rimbaud pré-simbolista brilha muito rapidamente nos poemas da primeira fase, à qual pertence o soneto “Les Voyelles” (“As vogais”) e outras peças igualmente baudelairianas, como é o caso de “Les Chercheuses de poux” (“As catadoras de piolhos”).

 

Início do movimento

 

Na década de 1870 ainda dominava o parnasianismo, ao lado das tendências realistas e naturalistas, que privilegiavam a reprodução fiel da natureza e enfatizavam as descrições objetivas, a exterioridade e o quotidiano. Oficialmente, o simbolismo só teve início em 1886, com a publicação, no suplemento literário do jornal parisiense Le Figaro, do manifesto de Jean Moréas, poeta francês nascido na Grécia. O manifesto declarava que o simbolismo, em sua radical oposição ao positivismo, ao realismo e ao naturalismo, era um movimento idealista e transcendente, contrário às descrições objetivas, à ciência positiva, ao intelectualismo e à rigidez formal do parnasianismo.

O principal órgão da escola foi o Mercure de France, fundado em 1889 e de imediato reconhecido como a primeira revista literária do mundo. Os representantes da primeira fase do movimento, sob influência direta de Baudelaire e Poe, postulavam também a simultaneidade da criação poética e da criação cósmica. Reclamavam para o artista a condição de intérprete de uma simbologia universal, a ser apreendida por intuição e expressa por alusões ou sugestões, e não pela lógica.

Esoterismo, hermetismo, decadentismo. Uma das características básicas da arte simbolista foi o papel representado pelo inconsciente na atividade criadora, o que levou os poetas do movimento a buscarem motivação no misticismo e nas doutrinas esotéricas. Outro de seus aspectos inconfundíveis, que deu origem a inúmeros escândalos e motivou violenta reação da crítica tradicionalista, foi o hermetismo. Em Portugal e no Brasil, os simbolistas chegaram a receber por isso a designação pejorativa de “nefelibatas”. O decadentismo caracterizou certa poesia e prosa simbolistas, em que os autores se colocavam como testemunhas de um universo em decadência, de um fin de siècle que seria, também, o fim do mundo. Nem mesmo Mallarmé escapou a tal sentimento, apenas um momento efêmero do simbolismo, que recebeu o veto posterior de seus representantes.

 

2.4.2 – Mallarmé e Verlaine

 

O núcleo do simbolismo francês residiu, sem dúvida, na obra de Stephane Mallarmé, consumado artista do verso, cujas potencialidades rítmicas e musicais explorou à exaustão. Deu início também ao hermetismo, à poesia pura da chamada “torre de marfim”, onde se reuniam os evasionistas e os experimentalistas do verso e do verbo. Em razão disso, sucederam-se as interpretações da obra de Mallarmé. Essas interpretações chegavam às vezes ao absurdo de atribuir ao hermetismo do poeta veladas intenções filosóficas, sobretudo de linhagem hegeliana.

A poesia de Verlaine teve seu valor cada vez mais ameaçado pelos modernos. Embora o público continuasse a prestigiá-lo, sua influência sobre a literatura posterior está muito longe de se comparar à que exerceu Mallarmé. Na verdade, Verlaine está muito mais próximo dos românticos do que dos simbolistas. Em sua melhor produção, o que persiste é romântico e não simbolista. Simbolista era o processo formal de composição da poética de Verlaine, mas não o produto dela.

 

2.4.3 – Reações ao simbolismo

 

A crítica da época recebeu muito mal o que chamou “escândalo” e “barbárie” simbolistas. Anatole France e Jules Lemaître desdenharam logo o movimento. A crítica oficial recusou-se a admitir toda a poesia posterior a Baudelaire. Max Nordau também não poupou o simbolismo e chegou mesmo a propor uma “terapêutica” para os poetas do movimento, aos quais batizou de “malsãos”, enquanto o crítico espanhol Alas, ancorado nas doutrinas naturalistas, chamou-os de “medíocres”.

Por volta de 1890, o movimento simbolista francês já dava mostras de esgotamento e, cinco anos mais tarde, entrava em franco declínio, o que deu origem a várias deserções. A mais surpreendente foi a de Jean Moréas, autor do manifesto de 1886 e que, em 1891, lançou os fundamentos da École Romane, que postulava o retorno aos rígidos moldes formais do classicismo latino.

A École não teve destino muito feliz e, pouco tempo depois, caiu em descrédito e foi violentamente criticada pelos primeiros modernistas. O simbolismo transcendeu os limites de suas atividades programáticas e deu origem à poesia pós-simbolista que, a rigor, já pertence ao modernismo. Essa herança é especialmente evidente na poesia de Paul Valéry, discípulo de Mallarmé, de Rainer Maria Rilke, T. S. Eliot, William Butler Yeats, Juan Ramón Jiménez e Paul Claudel, entre outros. Autores como Marcel Proust e James Joyce, dois mestres do romance, também muito devem à estética e ao estilo simbolistas, a exemplo do que ocorre também com Maurice Barrès, Alain Fournier, Thomas Mann, Knut Hamsun e vários poetas da moderna literatura americana.

 

2.4.4 – Simbolismo no Brasil

 

Ao contrário do que ocorreu na Europa e nos demais países da América Latina, o simbolismo brasileiro antecedeu o neoparnasianismo, que a crítica e o gosto popular consagraram, e foi por ele rapidamente absorvido. Quando tentou revigorar-se, após o declínio neoparnasiano, viu-se marginalizado pelos primeiros modernistas. O primeiro simbolista brasileiro — e também o maior poeta de todo o movimento — foi João da Cruz e Souza, que se rebelou contra a sintaxe tradicional portuguesa e introduziu no Brasil as conquistas estilísticas da escola francesa. Outro grande simbolista foi Alphonsus de Guimaraens, poeta intimista, dominado pelo sentimento da morte e por suave misticismo.

 

2.4.5 – Pintura simbolista

 

Nascido por volta de 1885 como reação ao impressionismo, o simbolismo na pintura só se desenvolveu plenamente a partir de 1889 — o mesmo ano da exposição do grupo impressionista e sintético, formado por Gauguin e pelos componentes da escola de Pont-Aven, no Café Volpini, em Paris. Os simbolistas cultivavam o gosto pelas superfícies planas e achatadas, propunham a simplificação do desenho e valorizavam a cor pelo uso de largas pinceladas em áreas cromáticas rigorosamente planas, limitadas por linhas negras. O resultado se afastava bastante das formas visuais da natureza.

Os três grandes pintores do simbolismo são Gustave Moreau, Puvis de Chavannes e, sobretudo, Odilon Redon. Moreau influenciou Pierre Bonnard, Jean-Edouard Vuillard, Albert Roussel, Maurice Denis e outros, que, de certo modo, preludiam o surrealismo. Puvis de Chavannes, que influenciou Gauguin e bom número de jovens pintores de seu tempo, parece hoje um mestre secundário. Odilon Redon, amigo de Mallarmé, é o mais importante dos pintores do grupo, o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original.

 

 

 

 

 

2.5 – Parnasianismo

 

Uma das maiores preocupações na composição poética dos parnasianos era a precisão das palavras. Esses poetas chegaram ao ponto de criar verdadeiras línguas artificiais para obter o vocabulário adequado ao tema de cada poema.

Movimento literário surgido na França em meados do século XIX, em oposição ao romantismo, o parnasianismo representou na poesia o espírito positivista e científico da época, correspondente ao realismo e ao naturalismo na prosa. O termo parnasianismo deriva de uma antologia, Le Parnasse contemporain (O Parnaso contemporâneo), publicada em fascículos, de março a junho de 1860, com os versos dos poetas Théophile Gautier, Théodore de Banville, Leconte de Lisle, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, François Coppée, o cubano de expressão francesa José Maria de Heredia e Catulle Mendès, editor da revista. O Parnaso é um monte da Grécia central onde na antiguidade acreditava-se que habitariam o deus Apolo e as musas.

 

2.5.1 – Antecedentes

 

A partir de 1830, alguns poetas românticos se agruparam em torno de certas idéias estéticas, entre as quais a da arte pela arte, originária daquele movimento. Duas tendências se defrontavam: a intimista (subjetiva) e a pitoresca (objetiva). O romantismo triunfara em 1830, e de Victor Hugo provinham as grandes fontes poéticas, mas o lirismo intimista não mais atraía os jovens poetas e escritores, que buscavam outros objetos além do eu.

A doutrina da arte pela arte encontrou seu apóstolo em Gautier, que foi o pioneiro do parnasianismo. Nos prefácios de dois livros, Poésies (1832) e Jeune France (1833; Jovem França), Gautier expôs o código de princípios segundo o qual a arte não existe para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma. Ele aplicou essa teoria ao romance Mademoiselle de Maupin (1836), que provocou acirradas polêmicas nos círculos literários por desprezar a moral convencional e enfatizar a soberania da beleza. Mais tarde publicou Emaux et camées (1852; Esmaltes e camafeus), que serviu de ponto de partida para outros escritores de apurado senso estético, como Banville e Leconte. Este último publicou, em 1852, os Poèmes antiques (Poemas antigos), livro em que reuniu todos os elementos formais e temáticos da nova escola. Ao lado de Poèmes barbares (1862; Poemas bárbaros), essa obra deu ao autor um imenso prestígio e a liderança do movimento, de 1865 a 1895. Em torno dele reuniram-se Mendès, Sully Prudhomme, Heredia, Verlaine e Coppée.

Outros precursores, como Banville e Baudelaire, pregaram o culto da arte da versificação e da perfeição clássica. À época, eram muito valorizados e vistos com curiosidade os estudos arqueológicos e filológicos, a mitologia, as religiões primitivas e as línguas mortas. Os dois livros de Leconte iniciaram uma corrente pagã de poesia, inspirada nesses estudos orientais, místicos, primitivos, “bárbaros”, no sentido de estranhos ao helenismo, que ele procurava ressuscitar com traduções de Homero.

 

 

 

2.5.2 – Características

 

O movimento estendeu-se por  aproximadamente quatro décadas, sem que se possa indicar limite preciso entre ele e o romantismo, de um lado, e o simbolismo, do outro. Uma de suas linhas de força, o culto da beleza, uniu parnasianos e simbolistas. No entanto, pode-se distinguir alguns traços peculiares a cada movimento: a poesia parnasiana é objetiva, impessoal, contida, e nisso se opõe à poesia romântica. Limita-se às descrições da natureza, de maneira estática e impassível, freqüentemente com elemento exótico, evocações históricas e arqueológicas, teorias filosóficas pessimistas e positivistas. Seus princípios básicos resumem-se nos seguintes: o poeta não deve expor o próprio eu, nem fiar-se da inspiração; as liberdades técnicas são proibidas; o ritmo é da maior importância; a forma deve ser trabalhada com rigor; a antigüidade grega ou oriental fornece modelos de beleza impassível; a ciência, guiada pela razão, abre à imaginação um vasto campo, superior ao dos sentimentos; a poesia deve ser descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas, em forma clássica e perfeita.

Dessa maneira, o parnasianismo retomou as regras neoclássicas introduzidas por François de Malherbe, poeta e teórico francês que no início do século XVII preconizou a forma estrita e contida e acentuou o predomínio da técnica sobre a inspiração. Dessa forma, o parnasianismo foi herdeiro do neoclassicismo, do qual se fez imitador. Seu amor ao pitoresco, ao colorido, ao típico, estabelece a diferença entre os dois estilos e o torna um movimento representativo do século XIX.

A evolução da poesia parnasiana descreveu, resumidamente, um percurso que se iniciou no romantismo, em 1830, com Gautier; conquistou com Banville a inspiração antiga; atingiu a plenitude com Leconte de Lisle; e chegou à perfeição com Heredia em Les Trophées (1893; Os troféus). Heredia, que chamou a França de “pátria de meu coração e mente”, foi um brilhante mestre do soneto e grande amigo de Leconte de Lisle. Ele reuniu as duas tendências principais do parnasianismo — a inspiração épica e o amor à arte– e procurou sintetizar quadros históricos em sonetos perfeitos, com rimas ricas e raras. Heredia foi a expressão derradeira do movimento, e sua importância é fundamental na história da poesia moderna.

O parnasianismo foi substituído mas não destruído pelo simbolismo. A maioria dos poetas simbolistas na verdade começou fazendo versos parnasianos. Fato dos mais curiosos na história da poesia foi Le Parnasse contemporain ter servido de ponto de partida tanto do parnasianismo quanto do simbolismo, ao reunir poetas de ambas as escolas, como Gautier e Leconte, Baudelaire e Mallarmé.

Da França, o parnasianismo difundiu-se especialmente pelos países de línguas românicas. Em Portugal, seus expoentes foram Gonçalves Crespo, João Penha e Antônio Feijó. O movimento alcançou êxito principalmente na América espanhola, com o nicaragüense Rubén Darío, o argentino Leopoldo Lugones, o peruano Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o uruguaio Herrera y Reissig.

 

 

 

 

 

 

 

2.5.3 – Parnasianismo no Brasil

 

O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.

Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).

O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.

A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.

O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.

 

2.6 – Concretismo

 

Na linha de Malevitch, Mondrian e outros precursores da abstração geométrica, o concretismo objetivava uma arte pautada pela racionalidade, contra a expressão de sentimentos e a representação naturalista.

Rejeitando o subjetivismo e o acaso, os concretistas pretendiam sobretudo ser designers de formas: quadros sem texturas e poemas sem versos.

 

2.6.1 – Antecedentes

 

Na Europa, o ano de 1930 marcou um momento fundamental para o concretismo com o lançamento em Paris de Art Concret, revista de um grupo liderado pelo pintor Theo van Doesburg, que em seu primeiro número propunha “destruir as formas-natureza e substituí-las por formas-arte”. As idéias de van Doesburg, que já descendiam do neoplasticismo de Piet Mondrian, foram retomadas a partir de 1936 por Max Bill, cuja vertente particular de concretismo, baseada na Suíça, exerceu influência na Argentina, no Brasil e na Alemanha.

Uma das contribuições mais originais do concretismo foi abordar os problemas da criação plástica junto com os problemas da criação poética, subordinando todos eles aos problemas da forma. Assim como a pintura geometrizada adotou a concretude das linhas e dos planos, abolindo as ilusões representativas, a poesia concreta, dando o verso por extinto, adotou o espaço gráfico como agente estrutural do poema. Em lugar da sintaxe discursiva tradicional propôs a sintaxe analógica, ideogrâmica, que permitia a justaposição de conceitos.

Contra a poesia subjetiva, de expressão ou representação, a poesia concreta queria ser objetiva, sintética, presentativa – mais para ser percebida como um todo do que lida em frações. O material lingüístico, as palavras reduzidas a seus elementos visuais (letras) e fonéticos (sílabas), era relacionado ao espaço, donde a importância atribuída a sua distribuição na página. Os concretistas apresentavam como seus precursores, por terem tido preocupações semelhantes, o Stephane Mallarmé de “Un coup de dés” (Lance de dados), Ezra Pound (Cantos), e. e. cummings, Guillaume Apollinaire (Calligrammes), os futuristas e os dadaístas.

As primeiras manifestações de poesia concreta surgiram com a década de 1950, mas já em 1943 o italiano Carlo Belloli havia exposto um mural de textos-poemas. Em 1952 o sueco Eyvind Fahlström escreveu poemas concretos e, um ano depois, publicou o Manifest för konkret poesie (1953; Manifesto de poesia concreta). De particular importância foi a atividade do suíço-boliviano Eugen Gomringer, autor de Konstellationen (1955; Constelações), quase simultânea à atividade desenvolvida no Brasil pelo grupo paulista da revista Noigandres.

 

 

 

2.6.2 – Brasil

 

O concretismo brasileiro, cujas propostas e invenções foram divulgadas a partir de 1952 pela revista-livro Noigandres firmou-se nos anos seguintes como movimento ativo e influente. Era uma fase de intensa industrialização no país, à qual suas propostas correspondiam. O movimento lançou-se oficialmente com a I Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada em 1956 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Além dos três poetas de São Paulo que haviam iniciado o movimento, os irmãos Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari, participaram do evento alguns poetas do Rio que aderiram ao grupo, como Ferreira Gullar e Vlademir Dias Pino. Entre os artistas plásticos, o concretismo já contava a essa altura com a adesão de Hélio Oiticica, Lígia Clark, Ivan Serpa, Franz Josef Weissmann e Aluísio Rodrigues Carvão, entre muitos outros.

Dissidentes do grupo paulista, encabeçados por Ferreira Gullar e Reinaldo Jardim, organizaram-se como neoconcretos no Rio de Janeiro, em 1957, admitindo a presença de elementos subjetivos na estruturação do poema e fazendo do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil seu porta-voz. Aos dois poetas reuniram-se em 1959, na Exposição de Arte Neoconcreta no Museu de Arte Moderna do Rio, os artistas Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lígia Clark, Lígia Pape e Theon Spanudis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

III – Conclusão

 

Conclui-se que as fases que constituíram as mudanças na arte: literatura, música, artes plásticas, teatro; foram seguindo o seu curso de acordo com os acontecimentos do mundo ao seu redor, ou seja, se excluindo quando o mundo sofria as mais terríveis mudanças, guerras, ditaduras, a arte segue a padrões que seguem ao modelo desenhado pela sociedade e situação de tal na época relacionada.

Cada geração de artistas tinham em seu interior uma maneira de se expressar, alguns bastante claros e outros, ocultos, alguns excluindo-se da realidade que o segue, e outros a denunciando, mas todos, em todas as épocas foram modelados pela estrutura sociológica de seu tempo ou período.

As emoções sentidas pelos artistas são as mãos que fazem o seu trabalho, um simples quadro ou pintura ou verso não revela apenas um mundo pequeno e vazio, revela o tempo em que a pessoa está vivendo, o que ela está sentindo e o que as pessoas ao seu redor estão sentindo. A arte foi e sempre será a maneira mais simples e clara de expressar em pouco espaço, tantos dados e sentimentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IV – Bibliografia

 

Enciclopédia Barsa

Enciclopédia Digital

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Trabalho escolar sobre Macunaíma Trabalho escolar sobre O Romantismo no Brasil

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