Trabalho escolar sobre o Sergipe

27/08/2011 at 11:50 pm Leave a comment

 

Menor estado do Brasil, Sergipe é também um dos maiores produtores e exportadores de petróleo e de laranja do país. O litoral do estado, com paisagens naturais intocadas, e as cidades históricas tombadas pelo patrimônio são importante pólo de atração turística da região Nordeste.

O estado de Sergipe (em tupi, “rio dos siris”) ocupa uma superfície de 22.050km2. Limita-se a leste com o oceano Atlântico, ao norte com Alagoas e a oeste e ao sul com a Bahia. A costa sergipana se estende por 163km, da foz do rio São Francisco até à do rio Real. Sua capital é Aracaju.

Geografia física

Relevo. Sergipe tem relevo baixo e regular: cerca de 86% do território está abaixo de 300m de altitude. Três unidades compõem o quadro morfológico: os tabuleiros sedimentares, o pediplano e a planície aluvial do São Francisco. Os tabuleiros sedimentares são um conjunto de baixas elevações, com forma de mesa, separadas por vales de fundo chato, onde se desenvolvem amplas várzeas. Ao contrário dos demais estados nordestinos situados ao norte, a faixa dos tabuleiros, em Sergipe, estende-se até o centro do estado. O pediplano domina toda a porção ocidental do estado, com uma topografia regular ou ligeiramente ondulada, em meio à qual despontam picos isolados (inselbergs). A planície aluvial do São Francisco estende-se ao longo da divisa com Alagoas e termina, no litoral, em grande formação deltaica.

Clima. Registram-se em Sergipe dois tipos climáticos: o clima quente e úmido com chuvas de outono-inverno (As’) e o clima semi-árido quente (BSh). O primeiro domina a parte oriental do estado, com temperatura média anual de 20°C e pluviosidade superior a 1.400mm anuais. O clima BSh caracteriza todo o interior de Sergipe, com temperaturas igualmente elevadas e pluviosidade bastante reduzida (800mm anuais).

Vegetação. A cobertura vegetal, hoje grandemente modificada pela ação do homem, compreende a floresta tropical, o agreste e a caatinga. A floresta tropical revestia a fachada oriental, à qual emprestou o nome de zona da mata. O agreste, vegetação florestal de transição para um clima mais seco, recobre o centro do estado. A caatinga desenvolve-se na porção ocidental.

Hidrografia. Os rios do território sergipano pertencem a duas bacias hidrográficas: a do São Francisco e a do Nordeste. Só a primeira apresenta bom potencial hidráulico. A segunda é formada por rios de baixada, dos quais os quatro principais são o rio Real, o Piauí, o Vaza-Barris, que banha a capital, e o Sergipe. Todos desembocam no oceano Atlântico em amplos estuários e permitem a navegação a embarcações de pequeno calado.

População

Os habitantes do estado se concentram na zona da mata e no agreste. Mais de metade da população vive em centros urbanos. Além da capital, as maiores cidades são Lagarto, Itabaiana, Estância, São Cristóvão, Tobias Barreto, Simão Dias e Propriá.

O território estadual está no limite das zonas de influência das cidades de Salvador e Recife. Aracaju, além de capital político-administrativa, é o centro econômico do estado. Sua ação se faz sentir em toda a área estadual. (Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)

Economia

Agricultura e pecuária. Os principais produtos agrícolas do estado são a laranja, cultura de exportação própria do agreste; a cana-de-açúcar, cultivada tradicionalmente na zona da mata; a mandioca, que, cultivada sobretudo no agreste, embora apareça dispersa em outras regiões, se destina ao consumo local das populações rurais; e o coco-da-baía, de que Sergipe é um dos maiores produtores nacionais. São importantes ainda as culturas de feijão e milho e, em menor escala, as de arroz, algodão arbóreo (principal produto do sertão) e fumo.

Para enfrentar o problema da seca, o governo investiu no desenvolvimento das pequenas propriedades rurais, que têm papel fundamental na produção de alimentos, e implantou sistemas conjugados de adutoras, barragens, açudes, poços, cacimbas e cisternas, além de difundir culturas, lavouras e animais resistentes à seca.

O rebanho estadual tem aumentado bastante. Contribui para esse desenvolvimento a existência de um moderno frigorífico na capital. A pecuária tem-se ampliado tanto no agreste como nos vales do litoral e nas áreas sertanejas.

Indústria e mineração. A atividade industrial concentra-se em Aracaju (produtos alimentícios, têxteis e beneficiamento de produtos agrícolas). Além da capital, a indústria se faz presente ainda em Estância e São Cristóvão, centros têxteis. Uma fábrica de cimento em Aracaju supre o consumo estadual. Entre as indústrias do setor alimentar, destaca-se a produção de leite de coco e raspas de coco em conserva.

O desenvolvimento de Sergipe foi estimulado pela implantação, a partir da década de 1960, do Distrito Industrial de Aracaju, numa área ligada às principais rodovias. O estado está entre os maiores produtores de petróleo do país. A exploração se faz tanto no continente (campos de Carmópolis, Siririzinho, Riachuelo e outros) como na plataforma continental. Desde 1985, opera no estado a primeira mina de potássio do país. Sergipe conta também com grandes reservas de magnésio, sal-gema e enxofre.

O Pólo Cloroquímico do estado integra as diversas unidades industriais de processamento de matérias-primas minerais, como as reservas de petróleo, gás, potássio, granito, halita, silvinita, carnalita, calcário e enxofre.

Energia e transportes. A energia elétrica é fornecida por termelétricas e hidrelétricas e pela usina de Paulo Afonso, situada no estado da Bahia. Com a inauguração da hidrelétrica de Xingó, na divisa com Alagoas, Sergipe passou a ter maior disponibilidade de energia.

A principal rodovia pavimentada de Sergipe é a BR-101, que corta o território do estado de norte a sul. A estrada de ferro segue traçado aproximado. Ambas cruzam o rio São Francisco pela ponte rodoferroviária que liga Propriá a Porto Real do Colégio, em Alagoas. Em 1986, foi inaugurada a rodovia Juscelino Kubitschek, que atravessa toda a zona semi-árida do estado, ligando Monte Alegre a Canindé do São Francisco. Oito anos depois foi aberta a estrada das Dunas, ou estrada do Coco, rodovia que corta o litoral sul de Sergipe e percorre um verdadeiro paraíso de dunas, coqueirais, lagoas, rios, manguezais e mar.

O porto de Sergipe, um terminal off-shore de propriedade do estado, faz articulação com o Pólo Cloroquímico, a zona de processamento de exportações e os grandes projetos de irrigação, e opera com cargas gerais, além de ser uma peça-chave para expandir o turismo sergipano. (Para dados econômicos, ver DATAPÉDIA.)

História

Sergipe teve sua colonização iniciada em 1590, quando Cristóvão de Barros, após vencer os índios da região, fundou a cidade de São Cristóvão e concedeu sesmarias a inúmeros de seus companheiros de luta. Inicialmente parte integrante da capitania de Francisco Pereira Coutinho e mais tarde adquirido por D. João III ao herdeiro do donatário, o território sergipano já tinha sido visitado pelos jesuítas, em 1575, época em que o padre Gaspar Lourenço tentou, sem resultado, a catequese dos silvícolas. Pouco depois, o governador-geral D. Luís de Brito e Almeida procurou dominar os índios pelas armas, mas não alcança o sucesso desejado, embora tivesse batido os caciques Seriji, Surubi e Aperipê.

Motivos importantes determinavam o interesse do governo geral pela conquista e povoamento de Sergipe, solução que facilitou as comunicações por terra entre Salvador e Olinda, e afastou os franceses traficantes de pau-brasil, cuja freqüência aos rios Real, Vaza-Barris e Sergipe, onde mantinham bons contatos com os habitantes, representava séria ameaça ao domínio português. Filhos de franceses e tupinambás, alvos e sardos, são lembrados nas primeiras referências sobre o trecho litorâneo que se alarga entre o rio Real e o São Francisco.

Criação de gado. A concessão de sesmarias, iniciada por Cristóvão de Barros e continuada pelos capitães-mores da capitania de Sergipe d’El-Rei — assim denominada para distinguir de Sergipe do Conde, do Recôncavo Baiano — fez-se do sul para o norte, estendendo-se pelos vales dos rios Real, Piauí, Vaza-Barris, Cotinguiba, Sergipe, Japaratuba e São Francisco, com predominância, na primeira fase da colonização, da pequena propriedade, destinada às roças de mantimento e à criação de gado.

O gado vacum dominou o território sergipano em pouco tempo. Dos muitos currais ali existentes saíam os bois que seriam abatidos nos currais da Bahia. Chamava-se “estrada da boiada” a que ligava Sergipe à capital da colônia; o baixo São Francisco era conhecido como “rio dos currais”. Os ricos de Salvador obtinham terras na nova capitania e para lá mandavam suas cabeças de gado. Até antes da invasão holandesa, Sergipe vivia da pecuária.

Um dos maiores criadores da região, Belchior Dias Moréia, descendente de Caramuru, chamou a atenção das autoridades para as minas de prata que dizia haver encontrado na serra de Itabaiana, nos sertões sergipanos. Deslocaram-se para São Cristóvão, no início do segundo século do povoamento do Brasil, os principais responsáveis pelo governo colonial, que terminaram por verificar o equívoco do mameluco sonhador, a quem prenderam.

Domínio holandês. Em 1637, os holandeses de Maurício de Nassau atravessaram o São Francisco em perseguição às forças de João Vicente São Félix conde de Bagnuolo. A cidade de São Cristóvão foi ocupada e incendiada. Milhares de cabeças de gado foram arrebanhadas pelos invasores e conduzidas para a outra margem do rio. Embora, posteriormente, o governo holandês tivesse planejado a ocupação efetiva do território sergipano, não conseguiu, nesse sentido, nada de importante. Econômica e socialmente, a fase flamenga foi de completa desorganização, em prejuízo do que se havia realizado em cerca de meio século.

Pouco a pouco, quando se operou a reconquista lusitana, o território quase devastado voltou a povoar-se. Nessa época de grande inquietação, com diversos atritos entre os habitantes, eram constantes as reclamações contra a prepotência dos poderosos, além das queixas pelos atentados aos representantes da metrópole. Reinava a indisciplina. Como conseqüência, a capital, no final do século XVII, passou a fazer parte da comarca da Bahia, fato que estaria destinado a repercutir seriamente na formação sergipana, originando as questões de limites entre Sergipe e Bahia, que tantos debates provocaram até o início da república.

Fumo e açúcar. No campo da economia, o período apresenta um ângulo novo na produção local: o surgimento da cultura fumageira. O fumo se tornaria o principal produto de exportação, levado para a Bahia e daí para a África, de onde, em troca, chegariam os negros escravos, esteios da atividade açucareira que se desenvolveu pouco depois.

Embora já no início da colonização, aqui e ali, houvesse plantio de cana e montagem de um ou outro engenho, somente no século XVIII Sergipe tornou-se centro produtor de açúcar, com engenhos nas margens dos rios Piauí e Vaza-Barris, e, principalmente, nos vales do Sergipe e do Cotiguinba, área geoeconômica denominada Cotiguinba. Nas últimas décadas do século, aproximadamente um terço do açúcar exportado pela Bahia era de procedência sergipana.

A prosperidade econômica então verificada serviu para melhorar o clima de tranqüilidade pública. No quadro econômico, social e político, surgiu e ganhou projeção a figura do senhor de engenho, que tanta importância exerceu nos séculos seguintes. Muitos foram os senhores da época, cujos nomes de família, na faixa da aristocracia rural, chegaram aos nossos dias.

No plano religioso, a expulsão dos jesuítas, em 1759, foi o acontecimento de maior significado para a região. Os inacianos possuíam as residências de Tejupeba e Jaboatão e tinham a seu cargo a aldeia indígena do Geru, onde edificaram uma das mais belas igrejas missionárias do interior do Brasil. O papel desempenhado pelos jesuítas passou às mãos dos sacerdotes seculares, quase sempre saídos das casas-grandes, e aos franciscanos e carmelitas, com bons conventos em São Cristóvão.

Emancipação política. No começo do século XIX, com uma população acima de 55.000 habitantes e exportando açúcar, fumo, cereais e couro, Sergipe estava no caminho da completa independência política, que iria consubstanciar-se em 8 de julho de 1820, por carta régia de D. João VI. Inúmeras dificuldades, porém, encontrou o brigadeiro Carlos César Burlamaqui, primeiro governador nomeado, para fazer cumprir a decisão real. Formara-se um partido contrário à emancipação, suficientemente forte para levar à prisão o governador, que foi obrigado a deixar São Cristóvão, onde dominavam os partidários da situação anterior.

Acontecimento de suma importância modificou, em 1822, o quadro político de Sergipe. O general Pedro Labatut, a quem o príncipe regente encarregara de expulsar da Bahia as forças lusitanas, sem condições de desembarcar, velejou para Alagoas, rumando depois para Sergipe, onde não somente obrigou as câmaras municipais a reconhecerem a autoridade de D. Pedro, como fez que se observasse o ato da independência da capitania. Instalou-se um governo provisório, que tinha à frente o governador das armas Guilherme José Nabuco de Araújo.

No primeiro reinado e, sobretudo, durante a regência, a província viveu as mesmas inquietações que perturbavam outros pontos do país. Os anseios liberais e o sentimento nativista manifestaram-se em diferentes oportunidades. O episódio de maior repercussão foi a revolução de Santo Amaro, assim denominada por haver eclodido na vila do mesmo nome. Chefiados pelo comendador Antônio José da Silva Travassos, os “camundongos”, alegando fraudes e violências praticadas pelos “rapinas”, que eram dirigidos pelo comendador Sebastião Gaspar de Almeida Brito, pegaram em armas contra o situacionismo, que conseguiu dominar o levante.

Mudança da capital. A mudança da capital da província, em 1855, na presidência do bacharel Inácio Joaquim Barbosa, exerceu marcante influência na história de Sergipe. Transferindo de São Cristóvão para Aracaju o centro político-administrativo provincial, o presidente procurava pôr em prática uma velha idéia, que visava a dar à capital sergipana uma posição chave no quadro geoeconômico da província, situando-a num porto de melhores possibilidades do que aquele que servia a São Cristóvão. A nova capital, uma das primeiras cidades do Brasil devidamente planejadas, muito contribuiu para o desenvolvimento de Sergipe a partir da segunda metade do século XIX, embora a medida tivesse sido fortemente criticada pelos habitantes da antiga capital.

No mesmo ano da transferência, Sergipe sofreu os efeitos de uma epidemia de cólera, que assolou a província, com elevado número de vítimas, sobretudo entre os escravos. Decorridos alguns anos, uma segunda epidemia, de conseqüências menos graves, voltou a atingir a população sergipana, causando graves prejuízos ao desenvolvimento da província. Predominava, então, a economia açucareira.

Na década de 1860, como reflexo da guerra de secessão nos Estados Unidos, a cultura algodoeira passou a ter considerável importância na economia da província, embora de modo efêmero. Em 1867-1868, por exemplo, o algodão superou o açúcar nos dados oficiais de exportação, mas o antigo produto não tardou a novamente exercer predominância. Plantado inicialmente nas matas de Itabaiana, o algodão manteve-se durante muitos anos como o segundo produto de Sergipe. Ao lado dos velhos engenhos e de novas usinas, apareceram as fábricas de tecidos espalhadas pelas cidades de Aracaju, Estância, São Cristóvão, Vila Nova (Neópolis), Propriá, Maruim e Riachuelo.

Primeira república. Proclamada a república, a exemplo do que ocorreu em várias unidades do país, os militares passaram a exercer postos executivos e legislativos, o que modificou o quadro da era monárquica, quando as lideranças provinham da área rural, onde senhores de engenho dominavam. Abriu-se, assim, uma perspectiva para a classe média.

Até 1906, ano da morte de monsenhor Olímpio de Sousa Campos, coube a este a liderança política do estado, como representante, segundo a linguagem da época, das forças da oligarquia local. Depois de ter sido presidente de Sergipe de 1899 a 1902, monsenhor Olímpio conseguiu eleger os presidentes dos triênios seguintes: Josino Meneses e Guilherme de Sousa Campos. No período deste último, um movimento chefiado pelo deputado federal Fausto Cardoso derrubou o presidente, logo deposto pela força federal, no cumprimento de ordem emanada do presidente Rodrigues Alves.

No momento da reposição, foi morto o deputado, que havia empolgado grande parte do povo sergipano. A revolta de 1906 dividiu a opinião pública em dois grupos irreconciliáveis (faustistas e olimpistas): os filhos do deputado falecido assassinaram, no Rio de Janeiro, monsenhor Olímpio Campos, acusado no caso do assassinato do chefe do movimento.

Em 1924 e 1926, dois pronunciamentos militares ameaçaram o poder constituído do estado, quando alguns oficiais, solidários com a revolução tenentista, se rebelaram sob a liderança do tenente Augusto Maynard Gomes. Em 13 de julho de 1924, os rebeldes depuseram o presidente Maurício Graco Cardoso, poucos dias depois reposto; numa segunda tentativa de rebelião desses soldados, a própria tropa policial os dominou. O tenente Maynard, faustista histórico, desfrutou de grande popularidade e veio a ser, após a vitória da revolução de 1930, interventor federal em Sergipe, como representante do novo sistema político, pelo qual se batera durante muito tempo.

O quatriênio de Maurício Graco Cardoso (1922-1926), embora sofrendo as conseqüências das revoltas mencionadas, caracterizou-se pelas grandes realizações administrativas, com inclusão de uma série de obras públicas, tanto na capital quanto no interior.

Durante a República Velha, firmou-se o prestígio intelectual dos sergipanos no cenário nacional, o que começara a se fazer sentir nos últimos anos da monarquia, com a Escola do Recife, onde pontificaram Tobias Barreto e Sílvio Romero. A circunstância repercutiu na vida política do estado. A representação de Sergipe no plano federal passou a ser disputada por intelectuais de projeção, residentes no Rio de Janeiro, em sua maioria sem raízes partidárias locais, mas apadrinhados por poderosos chefes nacionais, que não raro impunham os nomes de seus afilhados na organização das chapas para a Câmara e para o Senado. Poucas vezes foram recrutados nos meios políticos provincianos os dirigentes do executivo. O senhor de engenho Manuel Correia Dantas, à frente do governo em 1930, foi uma das poucas exceções.

Revolução de 1930. Durante algum tempo após a revolução de 1930, o presidente do estado, eleito pelo voto direto, foi substituído por interventores federais, de livre escolha do chefe do governo provisório da república. Augusto Maynard Gomes permaneceu na interventoria até 1935, ano em que, com a volta do país à normalidade democrática, o estado convocou uma assembléia constituinte e escolheu seu governador.

Poderosa coligação política, formada pelos grupos chefiados por Augusto Leite e Leandro Maynard Maciel, elegeu, em disputado pleito, o médico militar Eronides Ferreira de Carvalho, derrotando o líder do tenentismo sergipano. Dois anos após, com a implantação do Estado Novo, voltou o regime das interventorias. Pessoas da confiança do governo central exerceram a função interventorial até 1945.

A volta do Brasil à democracia foi marcada em Sergipe pelas várias campanhas governamentais que tornaram acirrados os pleitos de 1947 a 1963. A corrente chefiada por Leandro Maynard Maciel, que havia combatido o Estado Novo, vencida nas eleições de 1947 e 1951, alcançou o poder em 1955 e nele se conservou até 1963, quando um antigo leandrista, João de Seixas Dória, derrotou o grupo situacionista. O movimento militar de 1964 apeou do poder o governador vitorioso do ano anterior e ordenou sua substituição pelo vice-governador, Celso Carvalho.

Na época, Sergipe passou a empregar todos os seus esforços na tentativa de superar o subdesenvolvimento que emperrava o estado. O grande objetivo era modificar a velha estrutura agroindustrial da cana-de-açúcar, de forma a alicerçar a economia estadual na exploração do subsolo. Em 1963, jorrou petróleo nos campos de Carmópolis, ao que se seguiram a descoberta e a exploração do óleo na plataforma marítima.

Período contemporâneo. Em 1975, por decreto-lei, um terço do território de Sergipe passou a ser considerado de utilidade pública, para efeito de desapropriação pela Petrobrás. A controvertida medida visou a coibir a especulação imobiliária, que prejudicava o trabalho da empresa na prospecção de petróleo. A faixa considerada de utilidade pública se estende da foz do rio São Francisco até o rio Real, na divisa com a Bahia.

A partir de meados da década de 1980, importantes medidas foram tomadas para desenvolver a economia sergipana. Para tornar o estado auto-suficiente na produção de alimentos, defendendo a agricultura das secas freqüentes e prolongadas, o governo desenvolveu vários projetos de irrigação, como o de Canindé do São Francisco, denominado projeto Califórnia e inaugurado em 1987. Outro projeto dessa natureza foi o platô de Neópolis, iniciado em 1993 numa área na margem direita do rio São Francisco, destinada ao plantio de abacaxi, acerola e manga.

Outros fatores deram importante impulso à economia do estado no início da década de 1990: foram eles a mudança na legislação tributária estadual, para atrair investidores nacionais e estrangeiros, e a inauguração da hidrelétrica de Xingó, do Pólo Cloroquímico do Nordeste e do porto de Sergipe. (Para lista de governantes, ver Datapédia.)

Cultura

Entidades culturais. As principais instituições culturais do estado de Sergipe são o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Sociedade de Cultura Artística de Sergipe, a Academia Sergipana de Letras e a Associação Sergipana de Imprensa, todas na capital.

Os museus de maior importância são o do Instituto Histórico e Geográfico, o de Arte e Tradição e a Pinacoteca do estado, na capital, além do museu do convento de São Francisco, em São Cristóvão, um dos mais ricos museus de arte sacra do Brasil. Entre as bibliotecas, destacam-se a Biblioteca Pública do Estado de Sergipe, a da Universidade Federal de Sergipe, fundada em 1967, e a do Instituto Histórico e Geográfico, todas em Aracaju.

Monumentos. No território sergipano estão localizados diversos monumentos tombados pelo patrimônio histórico: a igreja matriz da Divina Pastora, em Divina Pastora; a antiga residência jesuítica, atual casa da Fazenda Iolanda, e capela anexa, em Itaporanga d’Ajuda; a casa do engenho Retiro e sua capela de Santo Antônio e a igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Comendaroba, ambas fundadas pelos jesuítas; a igreja matriz de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Nossa Senhora do Socorro; a capela do Engenho da Pedra, em Riachuelo; e a igreja Nossa Senhora do Socorro, em Tomar do Geru.

Outros monumentos estão localizados nas cidades históricas de Laranjeiras — a matriz do Sagrado Coração de Jesus (século XVIII) e a capela do Engenho Jesus, Maria, José; São Cristóvão — os sobrados coloniais da praça Getúlio Vargas, a Santa Casa de Misericórdia e sua igreja (1627), a igreja de Nossa Senhora do Rosário (1749) e a igreja matriz de Nossa Senhora da Vitória (século XVII); e Santo Amaro das Brotas — a igreja matriz de Santo Amaro e a capela de Nossa Senhora da Conceição no Engenho Caieira.

Folclore e turismo. As grandes festas religiosas de Sergipe são, na capital a procissão do Bom Jesus dos Navegantes (procissão fluvial que percorre o estuário do rio Sergipe, em 1º de janeiro); os festejos de Natal, de 25 de dezembro a 6 de janeiro, em que se destaca o tradicional carrossel do “Tobias”, um boneco preto que toca um grande realejo; e a de Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro. No interior, as principais festas populares são a do Senhor do Bonfim, em Estância, que dura três dias; a de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto, em 8 de setembro; e a dos Passos, em São Cristóvão, na Quaresma. A culinária típica sergipana tem como prato principal a buchada, feita de sangue e miúdos de carneiro.

Aracaju conta com numerosas e belas praias, como Atalaia Velha, Atalaia Nova, Aruana, Mosqueiro, do Robalo, entre outras; um horto florestal e um estádio com capacidade para cerca de cinqüenta mil espectadores, conhecido como “Batistão” (estádio Lourival Batista). As cidades históricas, por seu acervo arquitetônico, são uma das principais atrações turísticas do estado.

 

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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