Trabalho escolar sobre a Etiópia

18/08/2011 at 2:06 pm Leave a comment

 

Por mais de dois mil anos, a civilização da Etiópia manteve suas peculiaridades culturais frente à pressão de outros países. A unidade cultural do país, no entanto, sobrevive a um autêntico mosaico de línguas, raças e religiões, que contribuiu para agravar os choques armados entre seus habitantes nos últimos anos do século XX.

A Etiópia localiza-se no leste do continente africano, na região conhecida como chifre da África. Ocupa uma superfície de 1.133.882km2 e limita-se a oeste com o Sudão, ao sul com o Quênia e a leste com a Somália e o Djibuti. Ao norte, o país é banhado pelo mar Vermelho, onde há cerca de 150 ilhas etíopes. A capital é Adis Abeba.

Geografia física. O território da Etiópia é formado por rochas muito antigas, que datam da era pré-cambriana (entre 570 milhões e 4,6 bilhões de anos atrás), sobre as quais se depositaram sucessivamente materiais provenientes de vulcões. A maior parte desses vulcões se encontra extinta, embora alguns ainda manifestam atividade, o que se detecta pela existência de fontes termais.

A principal característica do relevo da Etiópia é o Rift africano, enorme falha geológica – fratura da crosta terrestre – que divide o planalto etíope em duas seções. Três conjuntos formam a paisagem do país: os planaltos do oeste, os planaltos do leste e o vale do Rift. Os planaltos do oeste, cuja altitude oscila entre 2.400 e 3.600m, são separados por barrancos. Nessa região destacam-se os montes Semien, cujo pico culminante é o Ras Dashan, com 4.620m de altitude. Os rios Omo e Nilo Azul cortam a região.

 

Os planaltos do leste formam uma faixa montanhosa de grande altitude à beira do vale do Rift e descem em suave declive para o leste. Consistem no maciço de Bale e nas planícies de Harer e Sidamo-Borana, drenadas pelos rios Dawa, Genale e Shebele. A região do vale do Rift, com altitude média de 1.500m, é banhada pelo rio Awash e cortada a leste e a oeste por enormes escarpas, entre as quais se situam numerosos lagos.

Clima. Embora a Etiópia se situe em latitudes tropicais, a altitude age como fator determinante em sua configuração climática. Assim, os planaltos apresentam clima temperado, enquanto nas planícies prevalece o clima quente. A temperatura média anual varia muito entre os planaltos (16o C) e as planícies (31o C). Maio é o mês mais quente em todo o país e janeiro, o mais frio. As precipitações são irregulares em intensidade e distribuição, o que compromete a agricultura e a conservação dos solos, e distinguem-se duas estações: a chuvosa, de julho a setembro, e a seca, de outubro a fevereiro, embora se registrem grandes diferenças de uma região a outra. A média anual varia de 2.500mm, no sudoeste, a cinqüenta milímetros, no nordeste.

Fauna e flora. A flora também depende das variações climáticas decorrentes da altitude. Assim, dos planaltos para as planícies se dá um escalonamento das formações vegetais. A acácia e formas de vegetação subdesértica crescem nas terras baixas, nas pradarias e nas terras aráveis de permeio. O bosque subtropical de folhas perenes cobre os planaltos e, no sudeste do vale do Rift, a paisagem é de savana. A fauna de todas essas regiões é bastante rica.

População. Não há na Etiópia um tipo racial único, pois sua população resulta de uma mescla de grupos de diversas origens, distintos entre si no tocante à língua, à religião e à cultura. O grupo mais numeroso é o dos amhara, seguido pelo gala, tigré, afar, somali e agew. As línguas também são múltiplas – nilótico, tigré, somali, árabe – embora a língua oficial seja o amárico. Fala-se também inglês e italiano.

Nas décadas de 1970 e 1980, a Etiópia apresentou elevada taxa de natalidade, embora o crescimento da população tenha sido freado pelos altos índices de mortalidade, um dos maiores do mundo. Esses fatores determinam uma população muito jovem. A esse fato se somou a emigração de grandes contingentes da população etíope para o Djibuti, entre meados da década de 1970 e o princípio da década de 1980, devido aos constantes conflitos internos. Durante esse período, a Etiópia era o terceiro país africano em número de habitantes. A população etíope é eminentemente rural, habita sobretudo os planaltos e se dedica às atividades agrícolas. Um importante segmento ocupa-se da pecuária e tem vida nômade. (Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)

Economia. A economia etíope é eminentemente agrícola e, embora centralizada e planificada, se encontra entre as mais atrasadas do mundo. Como ocorre com a maior parte dos países africanos, a Etiópia tem no subdesenvolvimento e na fome seus grandes problemas. As condições naturais são favoráveis à agricultura, mas as técnicas agrícolas são arcaicas e a produção, conseqüentemente, se limita ao nível de subsistência. Os principais produtos agrícolas são cereais, principalmente trigo, milho, sorgo, cevada e o teff (Eragrostis abyssinica), cereal nativo que constitui a base da alimentação no país. Cultivam-se também café, importante produto de exportação, e cana-de-açúcar.

Os camponeses foram reunidos em cooperativas e granjas do estado, mas essas medidas oficiais destinadas a melhorar a produção agrícola tiveram pouco êxito. A pesca, a pecuária e as atividades extrativas também apresentam problemas relacionados com métodos rudimentares de produção. A Etiópia dispõe de recursos minerais como ouro, platina, tungstênio e cobre, mas seu aproveitamento é precário devido à ausência de infra-estrutura adequada para a extração. O setor industrial – alimentos, couro, calçados, produtos têxteis, metalúrgicos e químicos – é incipiente. O governo procurou incentivar o turismo com a melhoria dos parques nacionais e da infra-estrutura hoteleira. Além do café, os produtos de exportação mais importantes são o couro e os legumes. A Etiópia importa petróleo, maquinaria, motores, produtos químicos e alimentícios. Seus principais fornecedores são os Estados Unidos, Itália, Alemanha e Japão.

Os constantes conflitos internos ocorridos durante o século XX abalaram a já frágil estrutura econômica da Etiópia. No princípio da década de 1990, agravaram-se as dificuldades econômicas com a queda nas exportações e o aumento dos gastos militares. A acidentada topografia do país cria obstáculos à construção de rodovias e estradas de ferro, o que encarece os transportes, efetuados em grande parte por via aérea. (Para dados econômicos, ver DATAPÉDIA.)

História. Os primeiros habitantes da Etiópia teriam sido os cushitas, povo hamito-semítico ao qual se uniram diversas tribos procedentes da Arábia. A história antiga da Etiópia tem estreita ligação com a do Egito, pois os dois países mantiveram intenso intercâmbio comercial. Há registros dessa relação em textos egípcios, que mencionam a antiga civilização etíope e chamam seus habitantes de habashat, origem do vocábulo Abissínia, nome pelo qual o país foi conhecido no passado.

No século II da era cristã instaurou-se o reino de Aksum, o que foi possível pelo progressivo domínio das tribos semitas, procedentes do sul da Arábia, sobre as tribos autóctones. Segundo a lenda, o reino aksumita remontaria a um estado anterior, fundado por Menelik I, filho do rei Salomão e da rainha de Sabá. Distinguem-se duas etapas na história desse reino: o período hebreu, caracterizado pelo apogeu econômico e cultural, e o período cristão, com início no século IV, quando são Frumêncio, enviado do patriarca de Alexandria, empreendeu a evangelização do país que ficou assim unido à Igreja Copta do Egito.

O reino de Aksum prosperou até o século IX, quando entrou em decadência. No século XI, o poder passou à dinastia Zague, que durou até século XIII, quando Yekuno Amlak, suposto descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá, restaurou a dinastia de Aksum.

No período das cruzadas, disseminou-se entre os europeus a lenda de um grande reino cristão na África e muitos portugueses partiram em busca da figura legendária do preste João. Em 1520, chegaram ao reino da Etiópia e posteriormente ajudaram os etíopes a repelir uma invasão muçulmana. Com os portugueses vieram também os jesuítas, que tentaram converter todo o reino à fé católica e quase tiveram êxito. O imperador Sussênio estava disposto a se converter, mas as exigências dos jesuítas e o descontentamento da população, arraigada à antiga fé, forçaram o monarca a abdicar em 1632. Os missionários católicos foram expulsos e a capital do império transferiu-se para Gondar.

Nos séculos seguintes instaurou-se na Etiópia um sistema feudal em que o poder era exercido por grandes senhores, denominados ras. Nesse período, a influência portuguesa aumentou e os ataques egípcios tornaram-se mais freqüentes. Em meados do século XIX, um chefe da guerrilha contra os egípcios, Kassa, se fez proclamar imperador, sob o nome de Teodoro II, recuperou territórios perdidos e restabeleceu a ordem no país. Começava, então, a unificação da Etiópia moderna. Para modernizar seu reino, o imperador estabeleceu relações com os ingleses, mas vários conflitos – incidentes diplomáticos e atividades dos missionários protestantes – levaram à ruptura com o Reino Unido. Em 1867, tropas inglesas invadiram o país e, no ano seguinte, ante a iminência da derrota, o imperador suicidou-se.

O turbulento período que sobreveio à morte de Teodoro II durou até 1889, ano em que Menelik II ocupou o trono. O imperador concluiu a unificação territorial, cuidou da modernização do país e fundou uma nova capital em Adis Abeba. Nessa época, os italianos já haviam começado a controlar a Eritréia, mas Menelik II conseguiu detê-los na batalha de Adua em 1896. Em 1906, França, Reino Unido e Itália assinaram um acordo pelo qual dividiam a Etiópia em três zonas de influência econômica, embora se respeitasse a integridade do território etíope. Hemiplégico, Menelik II abdicou em 1907 e voltaram as desordens. Morta a imperatriz Zauditu, filha de Menelik, o ras Tafari, sobrinho-neto de Menelik, foi coroado imperador em 1930, sob o nome de Hailé Selassié I, que significa “a força da Trindade”.

Em 1931, o imperador proclamou uma constituição que lhe outorgava poder absoluto por direito divino e estabeleceu um parlamento consultivo bicameral. A Itália invadiu a Etiópia em 1935 e ocupou a maior parte do país até 1941, ano em que ocorreu a libertação pelas tropas inglesas e francesas. Hailé Selassié reassumiu o governo e começou então uma fase de reformas políticas e de modernização econômica. Em 1952, a Eritréia uniu-se à Etiópia como estado federado, transformado em província do reino em 1962. O imperador manteve seu programa de modernização do país e, em 1955, proclamou nova constituição.

Em 1973 o descontentamento era geral. A existência de vários focos de conflito na Eritréia e na fronteira com a Somália, o castigo da seca e da fome, a corrupção governamental e a dureza de que lançou mão o imperador para reprimir os conflitos criaram uma situação de freqüentes choques políticos. O Exército, que aos poucos aumentara sua influência no governo, destituiu o imperador em 12 de setembro de 1974. Em 1975, a monarquia foi abolida e proclamou-se a república socialista. A partir desse momento, instaurou-se um Conselho Administrativo Militar Provisório (CAMP), popularmente chamado de Deurg, presidido pelo chefe de estado, general Teferi Benti. O governo adotou uma ideologia marxista-leninista e, em 1977, Mengistu Hailé Mariam tornou-se chefe de estado.

Uma vez constituído o governo militar, este realizou uma reforma agrária e nacionalizou as empresas, mas logo surgiram complicações, como o descontentamento de chefes provinciais e os conflitos na Eritréia e Ogaden, que provocaram uma sangrenta guerra civil. Diante dos contínuos ataques da Somália, a Etiópia recorreu à ajuda soviética e cubana e assim conseguiu derrotar o país vizinho.

Em 1990, com a dissolução da União Soviética, Mengistu perdeu seu principal aliado internacional. No ano seguinte, teve de deixar o país em conseqüência do avanço das forças da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE).

Um governo provisório assumiu o controle de todo o país, mas permitiu uma administração autônoma na Eritréia, então dominada pela Frente Popular de Libertação da Eritréia. Em maio de 1993 a Eritréia tornou-se independente, depois de um plebiscito em que 99,8% dos votantes optaram pela separação.

Instituições políticas. Em 1991, o poder executivo, que no regime de Mengistu era exercido pelo comitê central do CAMP, passou a um governo provisório assistido por uma câmara legislativa, o Conselho de Representantes. Meles Zenawi, dirigente da FDRPE, assumiu a presidência da república.

A Etiópia se divide em regiões administrativas, que se subdividem em províncias e distritos. Cada região desfruta de certa autonomia, que se deve mais às dificuldades topográficas e de comunicação que a uma verdadeira política descentralizadora.

Sociedade e cultura. O predomínio da agricultura de subsistência, o subdesenvolvimento, a precária infra-estrutura, as exportações pouco diversificadas e a ausência de capital nacional são fatores de pauperismo no país. Além do subdesenvolvimento, o flagelo da seca e os permanentes conflitos internos, em particular os movimentos separatistas, e externos, como os que ocorrem na fronteira com a Somália, dizimam e consomem a população etíope.

O sistema de saneamento básico é restrito às grandes cidades, apesar dos esforços para melhorar as condições de salubridade das zonas rurais. Um dos grandes problemas enfrentados pelas autoridades sanitárias etíopes é a resistência da população aos modernos métodos de saneamento. As práticas curandeiristas, os parcos hábitos de higiene e a escassez de água potável contribuem para a propagação de doenças tropicais e contagiosas.

O governo criou uma série de serviços sociais para ajudar os desempregados e os mais pobres. Existem nas cidades várias organizações de assistência à mulher, creches e centros comunitários para jovens delinqüentes. Na educação, o principal problema é a elevada taxa de analfabetismo, que persiste apesar das campanhas oficiais. O sistema educativo abrange desde o ensino básico até o universitário, no qual se destaca a Universidade Nacional de Adis Abeba.

Grande parte da população pertence à Igreja Ortodoxa da Etiópia, antes associada à Igreja Copta do Egito, que professa um cristianismo monofisista (defende a natureza única de Jesus Cristo). Existe, além disso, um grupo importante de muçulmanos e outros menores de animistas, cristãos não-ortodoxos e judeus. Os meios de comunicação, tanto os jornais, cuja publicação se centraliza em Adis Abeba, como a televisão e o rádio, se acham sob controle do governo. O mais popular deles é o rádio, que juntamente com a televisão transmite programas em vários idiomas – amárico, inglês, somali e árabe.

A religião cristã nacional dominou historicamente a vida cultural etíope. Tanto na pintura como na literatura abundam os temas religiosos. As línguas dominantes na literatura etíope foram o gêes, que continua sendo utilizado na liturgia da igreja, e o amárico, língua tradicional da corte, oficial no país. O governo militar tentou criar condições propícias para o uso de todas as línguas e a prática de hábitos culturais próprios de cada grupo, a fim de fortalecer a unidade nacional e desencorajar o separatismo.

 

 

 

 

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